Se você está cansado de assistir filmes com:
então compre um DVD ou Video-CD com o filme Bullit - uma fita policial clássica do final da década de 60. Contém o ator mais quente da época (Steve McQueen), a atriz mais quente (Jacqueline Bisset), procedimentos policiais e legistas 100% realísticos, enfim, um típico exagero dos anos 60. Em particular a beleza da citada atriz é algo sem paralelo no mundo atual, a taxa de natalidade do planeta e a contagem de espermatozóides já não é mais aquela :)
A história é relativamente simples - o policial super fodão (outra célebre instituição dos enlatados americanos) Frank Bullitt recebe uma missão de rotina - proteger uma testemunha. Ele falha em sua missão e tem algumas horas para descobrir os assassinos, enquanto a pista está quente e a notícia da morte não vaza.
Apesar de ter ganho um Oscar (melhor edição, 1968), a história é totalmente B pelos padrões atuais. O que realmente impediu o filme de cair em total esquecimento é a célebre perseguição automobilística, cheia de ação e totalmente inovadora em termos de realismo. Qualquer periódico sobre carros cita Bullit a cada 2 ou 3 edições por um ou outro motivo relacionado. Nada mau para um filme de 34 anos atrás.
A perseguição foi filmada nas ruas de San Francisco, boa parte naquelas ladeiras cheia de travessas onde os carros vão dando saltos, destruindo a suspensão e perdendo calotas. Esse cenário foi reutilizado à exaustão por outros filmes policiais e seriados. Quem ver o filme vai achar tudo muito familiar ;) É importante frisar que o Bullit iniciou a tradição, foram os outros que imitaram.
Steve McQueen gostava muito de carros e motos e sabia dirigí-los muito bem. Todas as cenas de perseguição do filme foram feitas com ele mesmo na boléia. Não, não foi usado aquele recurso palha de filmar os carros a 30 por hora e rodar o filme mais rápido. A velocidade *real* nas filmagens chegou a 195 Km/h. As filmagens são reais, de dentro e de fora dos carros, sem aquela história de filmar o ator contra uma tela de cinema reproduzindo uma paisagem!
Bullitt dirige um Mustang 390 fastback altamente envenenado. É notória sua estabilidade em curvas, que pode ser constatada no filme. O barulho do motor lembra o do "último dos V8" do Mad Max, provavelmente trata-se do mesmo motor.
Os bandidos a quem Bullitt persegue dirigem um Dodge Charger R/T, com motor Magnum 440 (7.2 litros) e 375CV de potência, sem modificações, que anda muito apesar de mais instável que o Mustang nas curvas. Por outro lado o ruído do motor Magnum é pura música. O Mustang nunca teria-o alcançado se não fosse mexido.
Tanto esse Dodge quanto o Mustang eram os carros mais quentes da época, muito adequado ao appeal do filme. Marcaram o auge da "corrida de cavalos" dos ''muscle cars''. Depois veio a crise do petróleo e o sonho acabou.
Ambos os carros utilizaram câmbio manual de 4 marchas. McQueen sempre utilizou dupla-embreagem, como grande piloto que era. Isso contraria um pouco a tradição americana de usar câmbio automático até em patinete, não entendi muito o porquê disso. Talvez para deixar documentado à posteridade que motorista que se preze usa câmbio manual.
O Dodge dos bandidos perdeu sete calotas de roda durante a perseguição ;) Afinal, filme policial tem de ter algum detalhe meio irreal. Também os mais observadores vão notar que uma seqüência de perseguição é repetida, de pontos de vista diferentes (um Fusca verde aparece 2 ou 3 vezes em lugares pretensamente diferentes).
Até o carro dirigido pela namorada de Bullitt (encenada, claro, pela Jacqueline ;) é um Porsche, portanto nada de carros palhas.
O filme 60 segundos, bem mais recente, explorou o relativamente esquecido filão dos amantes de automobilismo, com muito sucesso. Não admira também tenha utilizado um ''muscle car'' (Mustang Shelby GT500, a "Eleanor") como ator principal. Um carro que apareceu no filme de relance foi o AC Cobra 427; infelizmente não apareceu rodando, talvez por ser realmente raro, mas é um carro mais "posudo" que o próprio Shelby.