Domingo, Novembro 26, 2006

O sorriso da volatilidade

Como muitos já devem saber, opções são direitos de compra ou venda de uma ação por um preço determinado. Diferente de um contrato de futuros, este direito não gera nenhuma obrigação por parte do detentor da opção.

Os únicos custos para o detentor são o prêmio, ou seja, o valor pela qual a opção foi comprada, e o risco de "virar pó", ou seja, da opção não ter valor nenhum no dia do vencimento, pelo fato da cotação de mercado da ação ser mais vantajoso que o exercício da opção.

Opções podem ser úteis em várias formas de investimento, das quais vou ressaltar três: como "seguro" contra queda excessiva de uma ação que você tenha; como reserva de uma ação que ainda vai ser lançada no futuro (exemplo: ALLL11); e finalmente como meio de investimento direto, este muito arriscado pelo risco de "virar pó".

Em particular opções de venda são úteis como seguro contra queda do preço. Por exemplo, você compra Petrobrás a 40 reais, e obtém opções de venda a 40 reais.
Isso garante que você vai conseguir vender suas ações a pelo menos 40 reais no exercício da opção.

Se a ação subir mais, a opção deixa de ter valor, mas aí a ação está rendendo. É desta forma que os investimentos "com principal garantido" são construídos.

Teoricamente, o maior componente do preço de uma opção é a diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado. Por exemplo, uma opção de venda a 50 reais deveria valer em torno de 10 reais quando Petrobrás valesse 40. Qualquer opção de venda com valor menor ou igual a 40 não tem qualquer valor intrínseco.

Na verdade elas têm valor maior que zero pois vendem uma proteção contra eventos futuros. A fórmula de Black and Scholes é basicamente uma média ponderada dos possíveis preços futuros da ação.

Assim, mesmo opções "out of the money" (com valor intrínseco nulo) terão valor, pois existe uma chance, por menor que seja, do preço da ação mexer-se muito e cair na faixa em que a opção volta a ser interessante.

Os três "inputs" mais importantes de Black and Scholes são: valor intrínseco (óbvio), taxa de juros e volatilidade, matematicamente expressada como a variância. Naturalmente, quanto maior a volatilidade, maior a chance do preço da ação atingir níveis "inesperados". A volatilidade sempre aumenta o preço da opção, seja ela de compra ou de venda.

Até aqui tudo bem, parece extremamente fácil criar um investimento com "principal garantido". Digamos, se você comprar Petrobrás a 40 e obter opções de venda a 38, protege 95% do seu principal. Como a opção de venda a 38 não tem valor intrínseco, deveria sair a preço de banana.

O problema é que na prática, em todos os mercados, tais opções "out of the money" sempre apresentam preços maiores que o calculado por Black e Scholes.

Tal distorção é denominada "sorriso da volatilidade". Advém do fato de que é preciso adicionar um "x" de volatilidade à fórmula original para fazer o preço teórico concordar com o mercado. Quanto mais "out of the money", maior o "x", formando uma curva que lembra um sorriso irônico com o canto da boca.

Em alguns mercados, a mesma distorção acontece no sentido inverso, ou seja, quanto mais "in the money" estiver a opção, mais cara ela fica.

Na pratica, isto significa que quem adquire uma opção de venda está pagando mais caro do que deveria. E por que paga? Isto é objeto de muito estudo. O mais provável é o medo do futuro. A lembrança de eventos catastróficos (quebra da Bolsa etc.) aumenta o preço do "seguro".

Isso explica porque os fundos de investimentos com principal garantido não rendem lá essas coisas. Também é algo que vai dificultar sua vida na hora de construir um investimento ação + opção de venda. Talvez seja necessário adquirir a opção de venda num momento diferente da ação, aproveitando momentos de preços mais baixos de um e outro.

Por outro lado, o "sorriso da volatilidade" torna o investimento puramente em opções um pouco menos arriscado, pois assegura que uma opção ainda encontre mercado (com prejuízo, naturalmente) mesmo quando esteja "óbvio" que ela vai virar pó.

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

Agência de classificação de risco Standard & Poor's revisou a perspectiva do rating de longo prazo do Brasil de "estável" para "positiva".

Invertia noticiou: "A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta pelo segundo pregão seguido nesta quarta-feira, impulsionada por ações de bancos, depois que a agência de classificação de risco Standard & Poor's colocou o rating do Brasil em perspectiva positiva.

O principal indicador da bolsa paulista só precisa subir 0,16%, ou 68 pontos, para renovar seu pico histórico de fechamento, aos 41.979 pontos, registrado em 9 de maio. O recorde durante negócios é 42.061 pontos.

No meio da tarde, a S&P informou que revisou a perspectiva do rating do Brasil de "estável" para "positiva", mencionando sinais de que o país pode melhorar a qualidade do gasto público nos próximos anos.

Com a notícia, a bolsa retomou o fôlego e descolou de Wall Street, onde o Dow Jones encerrou perto do zero a zero."



AAh. isso explica BBAS3 e seus 4 pontos percentuais hoje.

Quarta-feira, Novembro 15, 2006

Esperança matemática

Post bem interessante do Master Chief (outro órfão do monitor) sobre Esperança Matemática. Epx, você vai gostar:

"Bob pode ter um método de operar onde ele esteja sempre certo em 70% do tempo, e ainda assim não tem lucros no longo prazo. A razão disto é que os lucros são pequenos, e as perdas enormes. (...) De uma forma simples, esperança matemática é a média de quanto você espera ganhar (ou
perder) a cada Real (R$) arriscado, utilizando uma determinada estratégia, eis a fórmula:

Esperança Matatemática = (Probabilidade de Ganhar * Média dos lucros em R$) - (Probabilidade de Perder * Média das perdas em R$)"

Segunda-feira, Novembro 06, 2006

Cuidado com o "buy-and-forget"

Como muitos já sabem, existem basicamente 2 escolas de investimento em ações: fundamentalistas e grafistas. Em resumo, os fundamentalistas pregam o "buy-and-hold" (comprar e segurar, só negociando a ação quando realmente precisar do dinheiro) enquanto os grafistas tentam comprar na baixa e vender na alta, tentando cavalgar as tendências de mercado numa perspectiva de curto prazo.

Depois de muito tempo amargando baixa popularidade, renovou-se o interesse no buy-and-hold graças a praticamente um único sujeito: Warren Buffett, auto-proclamado comprador de longo prazo.

Embora eu mesmo seja partidário da análise fundamentalista, e isso desde antes do Buffett virar o garoto de ouro dos investidores, há algumas coisas que se deve pensar antes de adotar uma estratégia cega de comprar-e-esquecer:

1) O Buffett compra ações subvalorizadas de empresas que ele conhece muito bem, e participa das respectivas administrações enquanto investe nas mesmas. Portanto, não é exatamente comprar-e-esquecer.

2) É importante comprar barato (subvalorizado). Entrar na Bolsa no momento errado, nos picos das bolhas, pode ser desastroso. Ok, depois de 20 ou 30 anos você terá seu dinheiro de volta corrigido, mas teria sido o mesmo que aplicar na poupança.

3) Não se pode esquecer completamente da ação após comprar. O Buffett participa da administração da empresa que é acionista, portanto tem uma excelente visão de quando pular fora. É preciso eventualmente pular fora (de preferência cedo demais que tarde demais).

4) É fácil ser um investidor buy-and-hold num mercado estável como o americano, cuja alta da Bolsa dura quase 70 anos, ou seja, exceto pelo crash de 1929 nenhum investidor nos EUA teve de provar o item (2). No Brasil a coisa é diferente - a Bolsa oscila. Isso pode ser até bom porque cria oportunidades periódicas para comprar barato.

5) Mesmo considerando a subida exponencial dos índices Dow Jones (bolsa dos EUA) e Bovespa, note que esses índices são compostos pelas ações mais negociadas na bolsa, e a participação de cada ação no índice é revisada a cada poucos meses. Portanto, mesmo que você faça o investimento mais conservador possível na Bolsa querendo apenas acompanhar o índice, terá de negociar ações periodicamente para que sua carteira espelhe o índice. Ou então invista num fundo (e aceite um rendimento medíocre, sempre se aproximando "por baixo" do índice).

6) É possível e provável que diversas ações que já compuseram o Bovespa e o Dow Jones já viraram pó pois as respectivas empresas faliram, e o índice deixou de refletir essa queda logo que a ação deixou de ser muito negociada. Ou seja, pode-se dizer que os índices têm um "bias" de alta. Isto também significa que comprar ações e esquecer delas pode fazer o dinheiro virar pó.

7) Em particular no caso da Bovespa, muitas ações que de estatais valiam praticamente nada nos anos 80 hoje custam o valor justo de mercado. Ou seja, o índice teve uma alta artificial que nunca mais vai se repetir.

Linuxeiros também investem em ações

http://www.linuxlinks.com/Software/Financial/Stockmarket/ olha só... Agora o quanto disso ainda existe & ainda funciona & ainda por cima presta... eu digo nos próximos dias.

Sábado, Novembro 04, 2006

Investimento estrangeiro na Bovespa deve ser o maior desde janeiro

Matéria na folha: "A entrada de recursos estrangeiros na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) deve ter alcançado em outubro o maior volume desde janeiro. Entre os dias 1º e 27 do mês passado, os estrangeiros compraram em ações na Bolsa R$ 16,882 bilhões e venderam R$ 15,399 bilhões, o que levou a um saldo positivo de R$ 1,483 bilhão.".

Até onde a nossa bolsa vai desse jeito? Acabamos de romper os 40k pontos do Bovespa, Já se fala em 42k até o final do ano. Aproveitem a onda senhores :p

Sexta-feira, Novembro 03, 2006

Excelente artigo: Como ganhar dinheiro imitando seu banco

"Como ganhar dinheiro imitando seu banco"

"Os bancos parecem ter uma fórmula mágica quando o assunto é multiplicar dinheiro. Eles conseguem lucros recordes mesmo em cenários econômicos desfavoráveis ao país. Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Unibanco lucraram, juntos, mais de R$ 11 bilhões em 2004. Mas será possível aprender algumas lições com os bancos sobre como ganhar dinheiro? Dois especialistas que conhecem de perto o funcionamento das instituições financeiras deram dicas da "filosofia bancária" ao correntista-poupador disposto a extrair o máximo dos seus recursos."

Quinta-feira, Novembro 02, 2006

Investir é preciso, viver não é preciso

Nosso amigo epx resolveu com maestria publicar em seu blog a participação dele no #d00dzFinance. Com isso acabou produzindo uma boa introdução sobre investimento e suas várias vertentes, da poupança até o mercado de opções de ações. Muito bom!



talk about circular reference: Listamos aqui o artigo do epx que lista o #d00dzfinance, que lista o artigo do epx, que lista o #d00dzfinance, que.. Aah.

Quarta-feira, Novembro 01, 2006

Braskem aos interessados..

Copiado-e-colado de um forum....: 31/10/2006 13:11:06: aos interessados
A Braskem divulga os resultados referentes ao terceiro trimestre na quarta-feira da semana que vem (8/11), antes da abertura do mercado. Prestou atenção pigmeu?