Sábado, Dezembro 15, 2007

O market maker

Market maker, também chamado de provedor de liquidez, é uma entidade contratada para "agitar" o mercado para um determinado papel, principalmente no caso de ações estreantes na Bolsa.

O objetivo do market maker é basicamente formar preço, para que outros investidores se interessem pelo papel, e não tenham medo de ficar com um ativo sem liquidez na mão. Baseado em cálculos fundamentalistas, o market maker oferece ao mesmo tempo ofertas de compra (bid) e ofertas de venda (ask).

Espera-se que, com o tempo, o papel forme uma "comunidade" de investidores suficientemente grande para que sempre haja compradores e vendedores naquele papel, e o market maker não seja mais necessário. Sem o market maker, demoraria muito mais para formar mercado, principalmente no caso de ações estreantes que ninguém sabe bem o preço justo.

O market maker obviamente quer ter lucro pelo seu trabalho. Mas esse lucro não é auferido por conta das oscilações do papel, e sim pela diferença entre preço de compra e de venda (bid/ask spread). Nesse sentido ele age como um corretor, comprando barato e vendendo caro. No final do dia, o market maker sempre quer ficar "zerado", para evitar prejuízos maiores no caso de queda brusca do papel.

A principal dificuldade do market maker é justamente manter-se zerado, em particular quando a pressão de compra ou de venda está muito grande. Em mercados muito desenvolvidos, o market maker pode lançar ou comprar opções. Quando isso não é possível, o jeito é zerar a posição comprando ou vendendo ao preço que o mercado aceitar, mesmo que signifique tomar prejuízo.

Mas é claro, na média o market maker faz bastante dinheiro em troca do serviço que presta.

Lee Lowell, o autor do livro "Get Rich with Options" que resenhamos neste blog, é um market maker. Ele começou trabalhando para uma corretora de valores que fazia esse serviço, e juntou dinheiro suficiente para ser um market maker autônomo. Sua experiência com opções veio da necessidade de compensar carteiras não-zeradas ao final do dia, ou em particular entre sexta e segunda-feira.

Lowell trabalhou muito mais em mercados de commodities, cuja maioria ainda são viva-voz. Em bolsas viva-voz, o market maker é ainda mais exigido pois ele costuma ser consultado o tempo todo a respeito de cotações, para possível fechamento de negócio dali a pouco. Se ele dá uma cotação, e o mercado oscila muito em seguida, ainda assim ele deve honrar a oferta -- mais uma potencial fontdalie de prejuízo, porém ficará "marcado" se não honrar a palavra. Até porque ele mesmo pode precisar desse "favor" de volta em breve. Outro pecado mortal do market maker viva-voz é ser ganancioso, distanciando demais as ofertas de compra e venda.

Muita gente acha que os market makers também querem ganhar dinheiro na oscilação de preços do papel, e Lee Lowell escreve muitos parágrafos tentando desmentir esta má impressão.

Ele também conta alguns causos engraçados. Coisas do seguinte quilate: fazer uma vaquinha e juntar 500 dólares: prêmio pago a quem comesse uma barata. (E teve um maluco que comeu mesmo!) Ou 1000 dólares a quem deixasse raspar o cabelo. O capitalismo em sua forma mais crua -- todo mundo tem seu preço. Como diria Dogbert, "não sei como os ricos conseguem ficar entediados". E é claro, não poderiam faltar os pesados trotes em aniversariantes, mas estes eram de graça, nem pagavam caixinha à vítima.

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