POP - outro investimento à prova de Dona Encrenca
Uma versão enlatada e ligeiramente mais sofisticada de investimento "à prova de Dona Encrenca" foi lançada pela BOVESPA: o POP. O POP não faz uso de aplicação em renda fixa para garantir o capital, e sim de opções de venda. O POP típico garante 95% do principal, e paga 80% da valorização da ação normal.
Como o mercado de opções de venda é ainda meio paradão no Brasil, o POP atende a dois objetivos: oferecer investimentos mais seguros e também dinamizar o mercado de opções de venda. Ao contrário do que se pensa, há muita gente interessada em vender opções (é mais fácil ganhar dinheiro lançando que adquirindo opções; em média, 70% das opções em qualquer mercado "vira pó").
Ao comprar um POP, o investidor faz 3 investimentos de uma vez só:
* adquire, digamos, 100 ações da empresa desejada;
* ADQUIRE (compra) 100 opções de venda ("puts") a um preço ligeiramente menor que o da ação
* LANÇA (vende) um pequeno número (tipicamente 20) opções de compra ("calls") ao preço da ação
Digamos que uma ação qualquer está valendo 100 reais hoje e o investidor compra um POP 95/80 (garantindo 95% do capital e pagando 80% do lucro -- há outros tipos com diferentes garantias).
Ele também comprará cem opções de venda a 95 reais/ação. Isto lhe dá o direito a vender as ações por no mínimo 95 reais, no vencimento das opções. Este é um aspecto importante do POP: é preciso esperar a "maturidade" das opções para sacar o investimento. Vendendo antes, talvez consiga menso que 95% do capital original.
As opções de venda adquiridas acima estão "out of the money" (quem iria vender algo por 95 reais se vale 100?), por isso serão mais baratas que opções de venda a preços mais altos. Mas ainda terão um custo, como se fossem um seguro, o que encarece o investimento.
Aí entra a emissão (venda) de opções de compra "at the money", a 100 reais. Estas opções de venda têm valor razoável pois estão no mesmo valor que a ação. O dinheiro arrecadado com esta emissão compensa o gasto com opções de venda. E o investidor passa a ter o benefício da máxima citada anteriormente (é mais fácil ganhar dinheiro emitindo opções do que adquirindo-as).
O problema de emitir opções de compra é que, se o mercado disparar, o emissor contraiu uma obrigação muito pesada, pois terá que entregar ações no dia do vencimento ao preço acertado lá atrás. O POP elimina este risco de duas formas:
* Ao comprar o POP o investidor compra a ação, portanto a emissão de opções está lastreada. O pior que pode acontecer é você ter de entregar as ações pelo preço combinado de 100 reais com elas valendo muito mais no mercado. Deixou de ganhar, mas não perdeu;
* No POP, o número de ações é muito maior que o de opções emitidas. Na modalidade que promete 80% dos lucros, apenas 20 opções são emitidas a cada 100 ações.
No POP 70%, 30 opções são emitidas, o que arrecada mais dinheiro e permite comprar opções de venda mais próximas do valor da ação, portanto o capital segurado pode ser maior que 95%.
Tipicamente, comprar um POP deve custar o mesmo que a ação subjacente. Mas na verdade *nada* garante que a emissão de "calls" vá cobrir a compra de "puts". Esta equivalência é para ser válida numa situação normal de mercado, onde as opções são precificadas da forma usual (Black e Scholes etc.).
Num mercado anormal, excessivamente volátil, as opções de venda encarecem e o POP custará mais caro que a ação subjacente. Qualquer ágio pago pelo POP significa garantia de capital menor que o normal. Se a ação vale 100 mas o POP custou 104, o capital garantido continua sendo apenas 95 (no POP típico 95/80).
Vamos ver agora o que acontece no dia do vencimento do POP:
* se a ação está valendo 150, as opções de venda viram pó. As opções de compra serão exercidas, o que significa que você será automaticamente forçado a vender 20 ações por apenas 100 reais. Você pode vender as 80 ações restantes por 150. Ou seja, você ganhou 80% da valorização das ações.
* Se a ação está valendo 75, as opções de compra que você emitiu viraram pó (e você embolsou o dinheiro auferido com elas). Mas você tinha 100 reais e agora só tem 75. A solução é exercer as opções de venda, forçando alguém a engolir suas ações pagando 95 reais.
Esta é a única coisa chata do POP: exercer opções exige fazer uma ligação à corretora. Talvez criem algum mecanismo de exercício automático ou via Internet no futuro. Outra saída seria vender o POP um pouco antes do dia do exercício, obtendo quase todo o capital garantido sem o aborrecimento.
Em resumo, o POP é outra opção para quem quer ser investidor mas tem medo do rolo de macarrão. O POP tem a grande vantagem de independer da taxa de juros para funcionar; nossa sugestão anterior de capital garantido apostava o juro mensal em derivativos -- um valor irrisório se os juros caem, como têm caido no Brasil.
