Terça-feira, Dezembro 18, 2007

Calculadora de opções na Web

Já tinha citado o programa BSCall, feito para a plataforma Nokia Maemo. Pensei em criar uma versão standalone para Linux normal e Windows, mas aí parei para pensar: Por que fazer tantos pacotes para um programa tão simples? Por que não na Web?

E aqui está a calculadora na Web, feita em Javascript: http://www.epx.com.br/ctb/bscalc.php, com todos os recursos da versão para Maemo exceto o gráfico.

Ainda é uma versão "beta":
javascript:void(0)
1) os cálculos precisam de uma checagem final, embora eu já tenha feito uma verificação preliminar.

2) testei a página no Mozilla Firefox, ainda preciso testar noutros browsers. Enquanto isso, agradeço se alguém mandar feedback sobre o comportamento do script no Internet Explorer, Safari ou Opera.

3) Falta o gráfico, que ainda pretendo implementar. O gráfico dá uma visão interessante das diferentes opções.

Enjoy!

Sábado, Dezembro 15, 2007

O market maker

Market maker, também chamado de provedor de liquidez, é uma entidade contratada para "agitar" o mercado para um determinado papel, principalmente no caso de ações estreantes na Bolsa.

O objetivo do market maker é basicamente formar preço, para que outros investidores se interessem pelo papel, e não tenham medo de ficar com um ativo sem liquidez na mão. Baseado em cálculos fundamentalistas, o market maker oferece ao mesmo tempo ofertas de compra (bid) e ofertas de venda (ask).

Espera-se que, com o tempo, o papel forme uma "comunidade" de investidores suficientemente grande para que sempre haja compradores e vendedores naquele papel, e o market maker não seja mais necessário. Sem o market maker, demoraria muito mais para formar mercado, principalmente no caso de ações estreantes que ninguém sabe bem o preço justo.

O market maker obviamente quer ter lucro pelo seu trabalho. Mas esse lucro não é auferido por conta das oscilações do papel, e sim pela diferença entre preço de compra e de venda (bid/ask spread). Nesse sentido ele age como um corretor, comprando barato e vendendo caro. No final do dia, o market maker sempre quer ficar "zerado", para evitar prejuízos maiores no caso de queda brusca do papel.

A principal dificuldade do market maker é justamente manter-se zerado, em particular quando a pressão de compra ou de venda está muito grande. Em mercados muito desenvolvidos, o market maker pode lançar ou comprar opções. Quando isso não é possível, o jeito é zerar a posição comprando ou vendendo ao preço que o mercado aceitar, mesmo que signifique tomar prejuízo.

Mas é claro, na média o market maker faz bastante dinheiro em troca do serviço que presta.

Lee Lowell, o autor do livro "Get Rich with Options" que resenhamos neste blog, é um market maker. Ele começou trabalhando para uma corretora de valores que fazia esse serviço, e juntou dinheiro suficiente para ser um market maker autônomo. Sua experiência com opções veio da necessidade de compensar carteiras não-zeradas ao final do dia, ou em particular entre sexta e segunda-feira.

Lowell trabalhou muito mais em mercados de commodities, cuja maioria ainda são viva-voz. Em bolsas viva-voz, o market maker é ainda mais exigido pois ele costuma ser consultado o tempo todo a respeito de cotações, para possível fechamento de negócio dali a pouco. Se ele dá uma cotação, e o mercado oscila muito em seguida, ainda assim ele deve honrar a oferta -- mais uma potencial fontdalie de prejuízo, porém ficará "marcado" se não honrar a palavra. Até porque ele mesmo pode precisar desse "favor" de volta em breve. Outro pecado mortal do market maker viva-voz é ser ganancioso, distanciando demais as ofertas de compra e venda.

Muita gente acha que os market makers também querem ganhar dinheiro na oscilação de preços do papel, e Lee Lowell escreve muitos parágrafos tentando desmentir esta má impressão.

Ele também conta alguns causos engraçados. Coisas do seguinte quilate: fazer uma vaquinha e juntar 500 dólares: prêmio pago a quem comesse uma barata. (E teve um maluco que comeu mesmo!) Ou 1000 dólares a quem deixasse raspar o cabelo. O capitalismo em sua forma mais crua -- todo mundo tem seu preço. Como diria Dogbert, "não sei como os ricos conseguem ficar entediados". E é claro, não poderiam faltar os pesados trotes em aniversariantes, mas estes eram de graça, nem pagavam caixinha à vítima.

Segunda-feira, Dezembro 03, 2007

Comportamento do delta, gama e theta na prática



Fiz o gráfico tosco acima pois estava com uma grande preguiça de colocar as fórmulas das "gregas" numa planilha. Vamos ver se é suficiente para passar a idéia.

A linha preta vertical é o ponto onde o preço da ação tem o mesmo valor do "strike", ou seja, o preço garantido pela opção de compra (ATM). À esquerda, a ação está mais barata e a opção está "fora do dinheiro" (OTM), ou seja, a perigo de virar pó. À direita, a ação está mais cara e a opção tem valor intrínseco (ITM).

A linha vermelha representa o comportamento do delta. Ele começa em zero, e só começa a se mexer quando a opção se aproxima de ATM. Exatamente em ATM (linha preta), o delta é muito próximo a 0,5. Na medida em que a opção torna-se ITM, o delta aproxima-se assintoticamente de 1.

As implicações disso são muito importantes. Uma opção bem OTM (bem a perigo de virar pó) muda muito pouco de valor, mesmo com grandes oscilações da ação subjacente. Delta baixo significa isso. Já uma ação bem ITM (com muito valor intrínseco) praticamente valoriza 1 real para cada 1 real que a ação subjacente sobe (delta próximo de 1).

A linha laranjada é o "gamma". O gama é a taxa de variação do delta. Como pode ser intuído pela inclinação da linha vermelha, o ponto em que o delta é mais variável é quando a opção está ATM. Ou seja, uma opção ATM é a que realmente está em cima do muro, tem a maior incerteza sobre seu futuro.

Apesar de ser uma grega quase nunca mencionada, incluí o "speed", a linha amarela que representa a taxa de variação de gamma. Como o gamma cai na medida que a opção fica mais ITM, sua taxa de variação é negativa, portanto o "speed" é negativo na parte direita do gráfico.



Agora, a curva descrita pelo theta. Nesta curva, o eixo X (horizontal) deixa de ser o valor da ação, e passa a ser o tempo. O theta é sempre negativo, então o gráfico está mostrando seu valor absoluto.

Conforme sabemos, o tempo é o grande valor de uma opção, pois ela é uma espécie de "seguro" contra o futuro incerto. PETRA50 garante que eu compre Petrobrás a R$ 50 em janeiro, não interessa quanto realmente esteja valendo. Na medida que o vencimento se aproxima, o futuro vai se tornando mais e mais visível, e o preço da opção vai caindo. O valor dessa queda é o theta.

Pelo gráfico podemos notar que o theta não é linear, ou seja, a opção não vai se desgastando proporcionalmente ao tempo. Quando o vencimento está muito distante, o theta é muito pequeno, ou seja, o desgaste é praticamente nulo. Mas, conforme o vencimento chega perto, theta cresce vertiginosamente, e a opção perde valor mais e mais depressa.

Como o mercado de opções brasileiro só tem liquidez em opções de prazo muito curto, isso quer dizer que sempre temos o theta já na última parte da curva: crescendo muito rápido. É bom para quem vende opções, mas é ruim para quem compra. Operações que envolvam compra de opções têm de ser encerradas sempre muito rápido (até 3 dias) para "fugir" dos efeitos do theta.

Infelizmente isso invalida algumas operações interessantes de compra, como adquirir opções de compra ITM para daqui 1 ano. Essas opções teriam variação (real por real) semelhante ao das ações, porém custam mais barato, de modo que o rendimento sobre o capital seria maior, além de ser uma forma de "comprar antecipado".