Terça-feira, Janeiro 30, 2007

Gerentes de bancos despreparados para recomendar fundos de ações

O mais hilário é que os bancos estatais foram os que mais bem se saíram. De uma reportagem do Valor Econômico:

"Uma visita às agências bancárias comprova as dificuldades. Se ele tiver R$ 50 mil para aplicar por dois anos, interessado em investir em fundo de ações, e já com outras aplicações de renda fixa, pode encontrar gerentes despreparados, que muitas vezes cometem erros grosseiros. E corre o risco de sair do banco com um plano de previdência ou ainda com um CDB."

"No HSBC, o consultor de serviços financeiros, ou seja, a pessoa mais preparada da agência para falar sobre investimentos disse à suposta cliente que o melhor seria ela começar a aplicar aos poucos em bolsa. A recomendação é irretocável, o problema é a aplicação indicada para esse primeiro passo em bolsa: um VGBL que possui 75% em renda fixa e 25% em renda variável."

"A gerente do Bradesco, também já certificada pela Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid), deu boas explicações sobre prós e contras da renda variável - que o retorno pode ser melhor, mas os riscos de perdas são maiores. Mas, assim como no HSBC, ela acabou indicando previdência e fez questão de ressaltar a vantagem tributária da dedução no Imposto de Renda. Em ambos os casos, tanto no HSBC quanto no Bradesco, os profissionais ignoram o fato das carteiras de previdência terem, além da taxa de administração, a de carregamento."

"No Itaú, o agente comercial disse que o banco não tinha fundos de ações e que a aplicação em bolsa só era possível por meio da corretora do banco." (Essa foi boa...)

"Já no Banco Real, os erros foram ainda mais grosseiros. "Tenho aqui um fundo que é o melhor, o que indico para os meus clientes, o nome dele é CDB", disse a gerente. E continuou: 'É a única aplicação que tem o imposto de renda regressivo, é o melhor fundo de renda fixa que temos'. (...)
Após mais perguntas sobre fundos de ações, a gerente confidenciou que não entendia muito do assunto 'porque o banco paga cursos só para os gerentes dos clientes de alta renda'".

"O melhor atendimento ocorreu numa agência da Zona Sul da Caixa Econômica Federal. Sobre o investimento em bolsa, a gerente fez questão de dizer que o investidor deve ter uma visão de longo prazo."

"No Banco do Brasil, o funcionário explicou corretamente o que é um fundo de ação, os riscos, e disse que também seria possível comprar ações diretamente por meio de uma corretora. (...) No BB, do total captado em 2006 por fundos distribuídos em agências, 25% foram para carteiras de ações, conta Maria Izabel Gribel, gerente executiva de investimentos do varejo. Só neste ano, a categoria já captou R$ 160 milhões.".

Melhor para o Banco do Brasil, ganha dinheiro sem fazer força.
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