
Grande sucesso dos anos 50/60, a novela é ambientada na Cuba pré-Fidel. Uma moça da alta sociedade (Maria Helena) engravida, o namorado Alfredo não assume e ainda ameaça difamar a moça. O pai de Maria Helena (Don Rafael) manda-a ter o filho num sítio, mas na verdade conspira para matar o bebê. Dolores, a babá negra (que já foi objeto de outra discussão aqui no blog, olha ela aí de novo) aceita a oferta para assassinar a criança, mas foge com ela e a adota.
Toda epopéia tem o "mestre que guia o herói". O homem que aparece no quadrinho lá em cima é Jorge Luiz, ex-pretendente de Maria Helena que encontra Alberto por acaso, vê algo familiar nas suas feições, e ajuda o rapaz dali por diante.

O caçador da família perdida é um tema constante em novelas. O bebê (Alberto) cresce, se forma médico e acaba salvando a vida do avô dele. D. Rafael torna-se amigo do médico, ainda que Alberto "sustente uma igualdade que lhe desagarada", por lhe não ter cobrado nada nem lhe dar prioridade na fila do hospital.

Agora o toque de incesto ou pedofilia da novela. Por freqüentar a casa de D. Rafael, Alberto acaba namorando com sua prima Isabel.
Apesar de praticar a igualdade na profissão de médico, Alberto é tão conservador quanto o avô em questões de família, apesar da origem humilde. Ele obviamente sabe que sua mãe é adotiva, e fica postergando o momento de apresentá-la à namorada (o "trauma intransponível" que todo bom herói tem). Preocupa-se demasiadamente em não ter sobrenome nobre, imagina que isso coloca em risco seu namoro com Isabel.
Mas, conforme o quadrinho acima, Isabel fura o cerco de Alberto e faz as apresentações por conta própria.

Pro dramalhão ficar completo, falta sacanear o vilão, o pai fugido de Alberto. Assim como o avõ, Alfredo também acaba precisando dos serviços de Alberto e apegando-se a ele, por ser "o filho que sempre quis ter". Alberto mantém distância pois sabe que seu cliente também foi um pai fujão. Nenhum desconfia estar ligado ao outro pelo DNA.
A fotonovela traz uma revelação interessante, que a Cuba pré-Fidel já tinha fama tanto nos cursos de Medicina quanto na qualidade da saúde pública. As estatísticas da ONU também mostram isso. Mérito dos cubanos, não de Fidel.