LOJAS PEGA-PAPAI-NOVO
As boas lojas com artigos para bebês são verdadeiras armadilhas para pais e mães. Se for da classe média 1.0, daquela que acha chique o filho ter asma, tanto pior. Mas devo reconhecer que tais lojas dão aula de marketing e vendas.
Antes do Felix nascer, minha esposa foi com a sogra (que por acaso é minha mãe) comprar algumas coisas de enxoval, e reclamei na volta porque achei que ela tinha gasto muito dinheiro. Aí sentimos falta de mais algumas coisas enquanto a Ana ainda estava na maternidade, e lá fui eu na tal loja. Foi um estrago...
Primeiro que você entra na loja e a vendedora, geralmente uma digna senhora, abre aquele sorrisão. Aí vêm mais duas vendedoras, todas uniformizadas, por trás de você, e aí você descobre que está encurralado. Aí já perguntam o nome do seu filho, quantos meses, como ele é, aquela coisa de vendedor de estabelecer relação com o cliente.
Ok, comprei o que precisava, o preço estava bom. Aí elas começam a dizer "ah, mas pra usar X precisa também Y, você tem Y?" Eu naturalmente não sabia, presumi que não. E assim ela sugeriu comprar coisa Z, W, A, B, C e gastei três vezes mais na loja do que o item X que originalmente planejava comprar. A Ana achou muita graça e sentiu-se vingada com o episódio.
Pois é, e já fui nessa loja mais duas vezes. Talvez pudesse encontrar roupas bem mais baratas numa loja de departamentos, só que é realmente agradável ir num lugar e ser incrivelmente bem atendido, e encontrar tudo que quer.
Nada é pior que ir comprar alguma coisa, e topar com aquele vendedor com cara de meu-boi-morreu, parece que o vendedor está com raiva de você por poder comprar algo e ele não.
LIVRO "QUEM AMA, EDUCA"
A diácona da minha igreja emprestou-nos o famoso livro "Quem ama, educa". É chato ser um leitor ávido, a gente fica muito exigente quanto a novos conteúdos, de modo que fiquei meio decepcionado com o tal livro.
De maneira geral, as orientações são boas, é o "grito de independência" dos pais escravizados pelos filhos. Mas essa coisa dos pais imporem limites aos filhos foi novidade nos anos 90; hoje em dia é algo que todo mundo já sabe, de modo que o livro parece chover no molhado, e ser muito repetitivo nas afirmações e argumentos. Talvez nos anos 90 foi algo revolucionário e seminal. Sei lá.
Uma linha de raciocínio do livro que me desagradou em particular foi o mantra "mães são coitadas e pais são safados e folgados". Talvez pelo fato do livro ter sido escrito por uma mulher. A autora critica o fato dos pais não saberem lidar tão bem com bebês como as mães, atribuindo isto a fatores culturais, esquecendo ou omitindo que todos os machos das demais espécies do reino animal padecem do mesmo "defeito".
A autora chega a dizer que pais que trazem dinheiro para casa mas não sabem cuidar do filho, são como mãos com um dedo só. Ok... Os 33% de nascituros registrados sem pai no Brasil (e provavelmente mais uma boa parte dos demais, cujo pai foi embora depois) devem considerar que é melhor ter uma mão com um dedo do que ser maneta.