Sábado, Abril 11, 2009

Metonímia made in USA

Depois de muitos e muitos anos fuçando a respeito de trens e ferreomodelismo na Internet, de repente percebi um aspecto cultural interessante dos textos em inglês: o uso liberal de marcas comerciais ao invés dos nomes próprios das substâncias, implementos ou ferramentas.

Por exemplo, se você pegar dois textos a respeito da mesma coisa: simular um lago com água na maquete. Muito provavelmente, o texto em português vai mencionar como material de enchimento a "resina poliéster, encontrada em lojas de tintas". Já um texto em inglês, em particular se dos EUA, vai orientá-lo a encher o lago com "WhizBangDopeyPoly". Brasileiros cortam com estilete, americanos cortam com X-Acto. Até mesmo no caso do universalíssimo WD-40, o redator brasileiro vai tomar o cuidado de colocar entre parênteses "ou outra marca óleo fino penetrante". Até para comprar um LED o americano vai na "Radio Shack mais próxima", e não numa loja de eletrônica.

Desnecessário dizer que, para um estrangeiro como eu, o uso de marcas comerciais complica muito a leitura do texto, já que a suprema maioria destas marcas é nacional, não universal. É bem verdade que basta uma procura adicional no Google para descobrir a substância por trás da marca, mas isso torna o texto "pesado" de ler.

Qual será a origem deste hábito? Será que existe um monopólio para cada produto no mercado? Ou é simples falta de curiosidade a respeito dos nomes próprios e substâncias químicas?
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