Esses dias passou uma reportagem sobre o problema do alto custo dos gêneros, paradoxalmente em rincões com baixíssimo poder aquisitivo, notoriamente no interior do Nordeste e no Centro-Oeste. Lugares onde o Bolsa-Família é a principal fonte de renda da população economicamente ativa, mas um litro de gasolina custa 4 reais, e um quilo de tomates custa 7. Como é que pode isso?
Lembrei das aparentemente inúteis aulas de Economia da faculdade, onde o professor falava que produto é sempre igual à renda. Qualquer tentativa de negar esta igualdade é fadada ao fracasso. Não adianta despejar dinheiro de um helicóptero num lugarejo pobre; é preciso estimular que se produza algo ali. Do contrário, a única consequência é a inflação.
Assim, quando alguém critica o Bolsa-Família por desacompanhado de outras ações, pense duas vezes antes de julgar esse alguém de sem coração, nazista, neoliberal, etc. Renda mínima é bom e eu gosto, porém é preciso que "o cara ao lado" produza alguma coisa para que a renda seja bem gasta.