Resta exibir as locomotivas e vagões de forma agradável, criando um diorama ou móbile. O dioramaf é uma "maquete estática", sem a parte elétrica. O diorama retêm 90% da graça da maquete (construí-la, enfeitá-la e ter um pretexto para comprar vagões e locomotivas), com apenas 10% do aborrecimento e do custo (em particular, a parte elétrica de uma maquete é um SACO, principalmente se for corrente contínua pura, que exige trilhos limpíssimos).
E agora, eu tenho meu diorama, ainda num estágio inicial, com toda a parte de "empetecamento" por fazer:
Assim como fotógrafos de revistas pornográficas, todo ferreomodelista tenta usar alguns recursos fotográficos pra valorizar o subject e fazer a coisa parecer "real":
Tenho comprado estes vagões e locomotivas ao longo dos últimos 20 anos, e possuo inclusive algumas "raridades": uma locomotiva e três vagões da finada Atma. Não é um brinquedo caro; um vagão custa 20 reais, menos que um almoço no shopping. A não ser que seja um almoço no Eki com o Rodarvus ("Bitcho, comi uma tainha com colorau [nota do tradutor: tepan de salmão] que vale 10 real e a conta veio 65!). Neste caso, o almoço vale uns 3 vagões:
Me aventurei até a fazer um desvio, naturalmente um desvio estático. O par de desvios prontos custa 60 reais, meio caro para servir apenas de enfeite, embora o preço em si seja justo já que se tratam de desvios automáticos, com solenóide para comando remoto etc. Fiz um desvio do mesmo jeito que os ferroviários fazem: com pedaços de trilhos. Até que deu pra enganar:
No próximo desvio, vou estar mais tarimbado. Se fosse o caso, acho que já seria capaz de fazer um desvio móvel funcional na 4a ou 5a tentativa. Afinal de contas, é assim que os desvios são feitos na vida real, e tem de ser possível no mundo em escala...
A maioria do meu "material ferroviário" tem pinturas da ALL, que atua aqui na região.
Não sou muito saudosista nem estatista; não sinto saudade da RFFSA, como a maioria dos ferreomodelistas. Mas, como eu já tinha comprado diversos vagões antes da privatização, tenho o suficiente de RFFSA para formar uma composição magrinha, para pagar o tributo à história ferroviária. Também tenho alguma coisa da FEPASA e da venerável Companhia Paulista (justamente aqueles vagões da Atma).
Mas três coisas RFFSA-only moram no meu coração: a G12 com pintura vermelho-bordô da RFFSA, por ter sido tudo o que eu conhecia como "locomotiva" durante a minha infância (à esquerda na foto, RFFSA bem nítido pros esquerdistas e estatistas do Valeta experimentarem prazerosos espasmos lá mesmo onde vcs estão pensando):
Também moram no <3 o vagão de passageiros pintado de azul-céu que costumava vir no fim da composição; e a litorina de aço inox Budd, cuja miniatura só a Athearn dos EUA fabricava, e ainda assim não é igual (e ainda não possuo na minha coleção).
Ser saudosista é só pra se aborrecer de graça, pois as coisas mudaram muito no transporte ferroviário. O lance agora é 1 maquinista, 10 locomotivas e 150 vagões, carregados automaticamente no silo e descarregados automaticamente no porto. As estações ferroviárias existentes só atrapalham; os pátios do tempo da maria-fumaça são curtos demais para dois trens "cruzarem". Fora os radialistas-pastores-vereadores que reclamam sem cessar quando o trem manobra dentro da cidade. Para resolver isto, a ALL construiu pátios de cruzamento em regiões afastadas, onde é fácil fazê-los compridos, e entregou as estações para as Prefeituras.
Já existe "massa crítica" de ferreomodelismo no Brasil para haver micro-fabricantes de vagões especiais. Eles pegam um vagão fabricado e fazem pinturas novas em cima da casca original, alterações mecânicas para super-detalhamento ou transformação em outro modelo semelhante-mas-não-igual. Os vagões-tanque abaixo são "aftermarket":
A propósito, o site da fábrica de ferreomodelos brasileiros é a Frateschi. O site deles é meio Web 1.0, mas os modelos fabricados por eles são de boa qualidade, sendo inclusive exportados com pinturas de ferrovias estrangeiras.