No domingo passado, 25/7/2010, naquele programa novo da Marília Gabriela, passou a entrevista do antropólogo Roberto da Matta. Quem não viu, procure assistir por algum outro meio, talvez YouTube, ou talvez no próprio site do SBT se encontre alguma coisa.
Quem me conhece melhor sabe que sou um grande fã desse cidadão. Na minha opinião é o único cara que "entendeu" o Brasil. Curiosamente, não comprei ainda nenhum dos seus 17 livros. Tenho o "O que faz do brasil, Brasil?", que me foi presenteado pelo Luciano, um ex-colega da finada Conectiva. (Na verdade, acho que ele não foi meu colega; ele trabalhou lá depois que eu já tinha saído. É incrível como a "irmandade Conectiva" ainda mantenha-se tão forte, depois de 10 anos.)
O livro me foi presenteado sob a condição de que eu o resenhasse aqui no blog, mas ainda não consegui absorver o que o tal livro tem a me dizer. O que já "compreendi" é que existe uma "parte boa" da cultura brasileira, uma gema perfeita embutida numa pedra bruta e feia, na qual estão também incrustadas a malandragem, o carteiraço e alguns veios medievais. Um exemplo da parte "bela" da nossa cultura do meio-termo, da conciliação e da ojeriza a posições extremadas é o nosso principal prato típico, o arroz com feijão, nem sólido nem líquido, misturando desde a carne de porco até a laranja (do mais "sujo" ao mais "limpo").
Será que tem a ver uma coisa com outra? Não sei, mas soou poético, eu esperava um livro que descesse o cacete no brasileiro, e a parte "ruim" é relegada mais para o final do livro. A parte inicial é quase uma injeção de ânimo em ser brasileiro.
Só foi curioso quando, na entrevista, Da Matta mencionou que o brasileiro não "computa" coisas como crítica, opinião contrária, dissenso. Foi uma inevitabilidade lembrar dos meus colegas neolulistas, em particular um que oscila da credulidade ao cinismo, ou melhor, sublima entre estes dois extremos sem nunca experimentar o estado intermediário, que é o espírito crítico.