Sábado, Janeiro 08, 2011

Visitando um museu por acaso

Costuma-se dizer que os habitantes de uma cidade são os que menos conhecem seus pontos turísticos. A prática me faz acreditar que é pura verdade. Minha esposa é um exemplo "dramático": nativa de Recife, foi pela primeira vez a Olinda quando eu a levei :) Mas não posso me gabar, meu escore é tão ruim quanto; não vou a um museu, galeria de arte, biblioteca pública de Joinville desde a época escolar (em que era obrigado a fazê-lo).

Por um completo acaso, fui a um museu local na terça-feira passada.


Joinvillenses que se prezam fazem igual aos paulistas que se prezam: procuram frequentar a "sua" cidade na época de férias, quando a patuléia desceu à praia. Tenho estado mais em Joinville desde as festas de fim de ano.

Tentando manter meu hábito de andar diariamente alguns km, fui margear trilhos, cheguei à (antiga) estação ferroviária e... descobri que lá existe um museu.

Como deve ser óbvio, a temática do museu gira em torno da ferrovia, mas também traz alguns detalhes da fundação e colonização de Joinville. A restauração do prédio foi muito bem-feita, com grande preocupação em preservar as características originais, trabalho num nível que só esperamos ver em coisas "realmente" antigas como aquelas igrejas de Olinda.

Impossível não enxergar a coincidência com a visita do museu na antiga estação de Campina Grande.

Por ora, o trem ainda passa por dentro da estação de Joinville, embora não pare nem faça manobras. Com a conclusão do contorno ferroviário, provavelmente a ferrovia será erradicada e o museu-estação perderá um pouco da graça, embora haja então a possibilidade de tomar a área do pátio de manobras e fazer uma bela área de lazer. O local já concentra bastante gente nos fins-de-semana (o shopping em frente também ajuda).

Melhor ainda se aproveitassem o futuro-ex-leito para fazer ciclovia e pista de caminhada/corrida. Duvido que aconteça, acho mais provável que usem para fazer ruas e avenidas, mas sonhar ainda é de graça.

Além de visitar a estação, andei um pouco pelos trilhos. Fazer isso enquanto é tempo, já que o trecho está com os dias contados. Morei nas imediações da estação até 2005, me criei ouvindo o trem passar, e agora ele está prestes a desaparecer.

Racionalmente, não há razão nenhuma para manter os trilhos ali, nem mesmo para transporte de passageiros. Mas é triste.

Mas vai demorar um bocado ainda para isto acontecer. As obras do contorno ferroviário estão muito devagar. O próprio site da ANTT diz que a obra está 20% concluída, isso porque era para ter sido entregue ao tráfego em 2009!

Como o futuro trecho promete ser bastante "fotografável" (pois terá um viaduto por cima da BR-101 num local conhecido como Curva do Arroz, entre outras obras de arte) fui fiscalizar in loco o andamento das obras e descobri que a terraplanagem foi pouco além da BR-101 no lado leste; pára logo que atravessa a Rua Santa Catarina. Ou seja, nadinha foi feito no trecho de topografia mais difícil (da Curva do Arroz até o Rio do Morro).

Não há estradas para fiscalizar facilmente o lado oeste da obra. Verbi gratia: da Curva do Arroz até próximo de Guaramirim -- região quase tão plana quanto o salar de Atacama. Será o fim da picada se não tiverem terraplanado ao menos este segmento.

Posso estar enganado, mas deu a nítida impressão que começaram a obra pelo lado "fácil" ou mesmo pelas imediações da BR-101 (onde passam milhares de pessoas por dia) só para dar a impressão de celeridade. Sabe como é: obra do PAC, eleições em 2010, as coisas pegam-se umas com as outras.

O contorno em São Francisco não está em situação muito melhor (segundo a ANTT, 25% concluído). Do contorno de Jaraguá do Sul (cujo projeto é tão antigo e consolidado que alguns mapas de GPS já exibem o traçado), não se ouve falar mais nada. O de Curitiba, então...

O lado bom é que nós, saudosistas e melancólicos, teremos bastante tempo ainda para observar e fotografar o trem passando pelos trechos condenados, serpenteando por dentro da cidade. Podemos adiar a compra da caixa de lenços de papel :)

Voltando à caminhada exploratória. Andar pelos trilhos é curioso. Mostra uma paisagem urbana completamente diferente da que se vê da rua. Em geral, muito mais feia, mas ainda assim interessante.

Descobri, por exemplo, uma casa muito simples e sem saída para a rua, isso numa área residencial hoje valorizada, coalhada de casas lindas. Não era uma invasão, a casa está fora da faixa de domínio. Ainda assim, algo totalmente improvável naquele lugar e "invisível" para quem anda de automóvel. Coincidiu ainda que o dono apareceu, empurrando sua bicicleta pela linha férrea, enquanto eu tirava fotos.

Bem, é isso aí. Espero vir com mais novidades ferroviárias em breve :)
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