Terça-feira, Abril 12, 2011

E aí, a bolha imobiliária estoura ou não?

Muita gente tem me perguntado isso, referindo-se ao meu "bombástico" post que declarava que a bolha imobiliária estouraria em três meses a partir de outubro do ano passado.

Como está claro, isto não aconteceu. Muita gente me chamou de prepotente etc. e não deixa de ser verdade :) A intenção do primeiro post foi realmente ser mais bombástico do que verdadeiro.

Conforme eu procurei esclarecer num post alguns dias depois, que explicou as razões pelas quais eu acreditava na bolha e seu iminente estouro, não haveria sangue nas ruas, nem era provável que os preços dos imóveis caìssem à metade em 1/1/2011.

Aproveito para deixar claro que não sou um catastrofista, que (ao contrário do que os neolulistas pensam) eu não estou a espalhar boatos para denegrir o governo etc. Eu simplesmente estou enxergando distorções, agindo em função disso e externando minha opinião. (E os que discordam, que façam comentários inteligentes, já que comentários bestas não vão a público, já que são todos moderados :)

Relendo os posts, reafirmo que todos os pontos que desenvolvi no segundo post continuam sendo válidos, na minha opinião. Os ingredientes da bolha continuam todos aí, e nos últimos tempos estão ficando mais claros para mais gente.

A modinha de comprar imóveis "para investir" já implodiu. É consenso que neste ano a valorização será "a da inflação". Seria o "platô permanentemente alto" de Irving Fischer?

O governo está perfeitamente ciente das distorções atuais da nossa economia: inflação em alta, e as ferramentas mais simples para controlá-la estão esgotadas (dólar já está muito baixo e juros já estão muito altos).

Mas está relutando em tomar medidas mais duras; ninguém quer ser "o cara" que vai frustrar a esperança dos brasileiros cortando crédito e cancelando concursos públicos, muito menos brigar com a base aliada porque cortou gastos. Os sintomas da tibieza são as providências esdrúxulas e pouco criativas: aumenta IOF para conter empréstimo em dólar, ameaça sobretaxar os carros a gasolina para "baratear" (relativamente) o álcool...

Assim, o crédito imobiliário continua intocado. O que mais me intriga é que é um crédito concedido a juros abaixo da taxa-base, ou seja, para todos os efeitos práticos cobra juros negativos. Para que haja dinheiro a emprestar, outros têm de poupar, e quem poupa espera uma remuneração não-negativa. Talvez parte do dinheiro venha do governo, mas o governo paga a taxa-base para captar esse dinheiro do mercado. Esquisito, não é?

Dá uma tentação danada vender a casa e financiar outra, ou mesmo morar de aluguel, porque a taxa de juros negativa contaminou também os aluguéis, hoje incrivelmente baixos em relação ao preço do bem alugado. Mas eu acho arriscado financiar; vai que tudo vira de repente e o governo deixe a TR "fluir", fazendo as prestações subirem...

Falando nisso, a mais nova tentação do governo é deixar a inflação correr, de preferência maquiada e subestimada pelos índices oficiais, para "aguar" a bolha imobiliária. Quanto mais subestimada melhor, para manter a TR baixa e evitar impopularíssimos aumentos nas prestações da casa própria (embora isto ferre com os poupadores, mas e daí? :)

Note que ainda é uma tentação ainda não convertida em pecado. Tomara que assim permaneça, porque senão, só vai faltar botar o Sarney de volta no Planalto, e atrasar o relógio 25 anos.

É claro, muita gente discorda que haja sequer bolha imobiliária. Tirante os comentaristas irados, há gente eminente, que eu respeito, que já tentou me convencer que ainda é interessante investir em imóveis.

Respeito a opinião deles mas ainda fico com a minha.
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