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Blog pessoal EPx

Terça-feira, Outubro 07, 2008

Felix com 6 meses

Agora já está consideravelmente mais divertido ser pai. O Felix já senta, já se agrada de brincadeiras bobas e está mais forte nos músculos, o que o torna mais fácil de pegar, carregar e brincar.

O lado ruim é que ele quer companhia quase o tempo todo durante o dia, o que ocupa muito de nós. Pelo menos ele dorme muito bem à noite: apaga às 11, acorda às 7 para comer, dorme até as 10. Até agora não perdemos uma noite sequer.

Em termos de doenças, só teve até agora um resfriado, de que ele recuperou-se muito mais rápido que os pais dele...

Quinta-feira, Agosto 28, 2008

Sargento Getúlio, o herói esquecido

Houve um herói brasileiro antes do Capitão Nascimento. Não estou falando de Macunaíma, o "herói sem caráter". Falo do Sargento Getúlio, personagem principal do romance homônimo de João Ubaldo Ribeiro (também autor de "O Sorriso do Lagarto", transformado em minissérie pela Globo). Sargento Getúlio também virou filme, representado por Lima Duarte.

Getúlio é um sargento da Polícia Militar de Sergipe, capanga e apadrinhado de importante político, através de quem ganhou essa divisa. É mandado a Paulo Afonso/BA, para capturar um inimigo político do chefe e trazê-lo até Aracaju, onde provavelmente será executado. Getúlio vai com Amaro (seu motorista e amigo inseparável) num automóvel "hudso" (Hudson).

A notícia vaza, há pressão política e o chefe manda cancelar a missão, mas Getúlio não compreende tais sutilezas; recusa-se a libertar o prisioneiro e só descansará quando entregá-lo em Aracaju. Enfrenta até forças federais por conta disso, e acaba sendo abatido no terceiro combate com elas. (Embora não fique explícito, o fato da primeira força exigir que o sargento entregue-se junto com o prisioneiro implica que Getúlio foi descartado pelo chefe).

É interessante o estilo em que o livro é escrito: longos monólogos de Getúlio que se estendem por várias páginas, sem parágrafos, uma frase grudada na outra, é algo difícli de ler. Só há parágrafos e frases curtas em alguns (poucos) diálogos ao longo da história.

"Se alembre: se em vez de lhe buscar em Paulo Afonso com todos cuidados e lhe trazer nessa viagem tirana da peste, peste, peste, peste! merda, Amaro, segure esse porra desse hudso que este pai dégua se desmantela-se! se em vez de lhe trazer eu lhe passasse o aço e lhe carregasse a cabeça dentro dum bocapio o que ia ter era muita sastifação em todo o Estado de Sergipe, seu bosta, digo mesmo, bosta, bosta, seu cabeça de bosta, coração de toloco, filho dum cabrunco! olhe o desgramado, espie aí, Amaro! fugir pra Paulo Afonso, ora fugir pra Paulo Afonso, fugir pra Paulo Afonso feito uma vaca, bexiguento! fugir pra Paulo Afonso, pra Paulo Afonso, lá nos infernos, viu, cão da pustema apustemado, lhe faço uma desgraça, pirobo semvergonho, pirobão sacano xibungo bexiguento chuparino do cão da gota do estupor balaio, mija-na-vareta, tem ginásio, tem ginásio! nunca vi ginásio fazer caráter, não responda porque é melhor, lhe meto a cabeça num bocapio e deixo o resto com os guarás, cachorro bexiguento, está pensando o quê, agora responda, capão do rabo entortado, peste! capão da peste, tiro um cunhão seu fora nesse minuto, para lhe ver amofinado e roncolho em Ribeirópolis daqui a pouco, nego fujão; fidumaégua, fidumavaca, fidumajega, viado corredor, peste, peste, peste peste! lhe como a alma, está pensando! lhe tiro o figo, está pensando, ora fugir para Paulo Afonso, amasiado com mulher dama, adeus mestre, ora taí, Amaro, homem creia! Não se enxira, Amaro, quando a cabeça esquenta o melhor é deixar refrescar. Tu tem curso de ginásio, Amaro? Que eu sei, você andava lavando a escada do Ateneu. Se lavar escada do Ateneu dá ciência, você vai bem. Pergunte a esse comunista daqui, esse maricão estrumado, esse capadócio desse udenista, esse peste ruim! pergunte, mas não vá pensando que ele responde, que ele não responde. Só fala com doutor, mas está aí de beiço tremendo como rabo de largatixa, com medo que eu dê um fim nele agora. Dou mesmo, peste!"

Embora a história represente algumas das piores coisas que há e houve no Brasil (coronelismo, República Velha), simpatizo com a história e com o personagem. Talvez pela grande interpretação de Lima Duarte, pela teimosia do personagem principal, ou pelo rígido código de honra que ele segue sem titubear até à morte.

As músicas da trilha sonora do filme também são engraçadas. O verso de uma delas é de singular sabedoria:

"A vantagem de quem tá no poder

é judiar de quem tá por baixo"

Terça-feira, Agosto 19, 2008

Felix noveleiro

O Felix, com cinco meses agora, pára qualquer coisa que esteja fazendo, e fica olhando atentamente para a TV quando toca a musiquinha de entrada da Favorita...

Segunda-feira, Agosto 11, 2008

Educando meninos e educando maridos

Devido à recente paternidade, tomei emprestados mais dois livros sobre educação de criancas: "Ouse Disciplinar" de James Dobson, e "Educando Meninos" do mesmo autor.

Os livros são excelentes, se você souber filtrar o ranço direita-cristã-evangélica que os permeia. Eu diria mesmo que o autor faria melhor em lançar uma versão "agnóstica", atingiria um público maior. Como evangélico, sei melhor do que ninguém que existe uma certa "alergia" a conteúdos com verniz cristão, e para ser honesto eu mesmo prefiro que textos sobre assunto X não tenham verniz Y.

A ênfase dos livros é o "tough love" que é essencialmente a última moda da educação. Mas ao contrário do "Quem Ama, Educa", os livros tratam os pais/maridos como componentes importantes do casamento e da educação dos filhos, "as they are", e não como imbecis-xucros-a-serem-domados como acha o Içami Tiba.

Nisso há obviamente um raciocínio circular, já que são livros voltados para maridos/pais, e um marido/pai que se dá ao trabalho de ler um livro desse, é muito provavelmente um bom marido/pai. É o "Efeito Mateus" em ação, onde quem tem já possui um nível X de esclarecimento consegue adquirir mais, e quem não tem, continua sem.

Troquei hoje uma idéia com outro amigo sobre uma das idéias (controversas) defendidas pelo Educando Meninos, que é a mãe não trabalhar fora, dedicar-se à educação dos filhos.

Eu já deixei claro neste blog que, pessoalmente, na minha visão de mundo e situação, prefiro que minha esposa cuide da casa do que trabalhe fora pelo salário mínimo. Simplesmente porque é economicamente mais vantajoso para nós dois. Afinal de contas, num casamento com comunhão parcial, legalmente cada membro do casal é "dono" de 50% dos rendimentos totais. Cada um desempenha o papel que sabe fazer melhor, e todo mundo fica feliz.

Agora, será que esta configuração familiar é realmente aconselhável, a priori e para todo mundo? Mais direto ao ponto, se você tivesse uma filha, educaria-a para ser uma dona de casa? Eu acho que não. Porque, apesar das provisões legais de divisão de bens, pensão e etc., a igualdade de condições de uma esposa sem rendimentos é uma ficção. Só funciona quando existe honestidade de todas as partes.

E honestidade de todas as partes envolvidas -- eis a exceção...

Veja a seguinte situação, que está acontecendo com uma família aparentada minha. O marido arruma amantes debaixo do nariz da esposa, aparentemente "pedindo" para ser mandado embora (a casa é dela). Eles têm dois filhos pequenos e ela não trabalha, nem nunca trabalhou, nem tem uma profissão.

Naturalmente, ela agüenta tudo calada, porque se mandar o marido embora, certamente ele vai usar esse pretexto para sumir no mundo, ou pagar uma pensão microscópica. E aí, faz o que? Se fosse há um século atrás, era mais fácil: o clã familiar expulsaria o safado e assumiria o sustento da mulher e dos filhos. Minha família já foi assim um dia. Note o pretérito perfeito.

Hoje em dia, em particular na classe média, cada um considera "família" apenas família nuclear: pai, mãe e filhos pequenos. O resto é gente conhecida que encontramos em festas de casamentos e em velórios. A educação de um filho é um custo potencialmente infinito, e cada um cuida estritamente do seu, pois já é fardo suficiente.

Uma possível solução seria o Estado pagar um salário para a mãe que cuida dos filhos. Existem projetos de lei nessa direção, não só para donas de casa, mas também para inúmeras outras pessoas que fazem trabalhos essenciais porém não remunerados, como cuidar de familiares doentes. Considerando o número de famílias monoparentais do Brasil, o Bolsa-Família é um tipo de compensação nesta direção.

Agora, não quero nem imaginar o potencial de abuso em cima de um mecanismo assim...

Quarta-feira, Julho 16, 2008

Daniel Dantas e o regime militar

Embora eu discorde da forma que a PF abordou o caso do Dantas, inclusive por contraproducente, não é engraçado que as mazelas da polícia sejam autopsiadas apenas quando sua ação atingiu gente rica e poderosa, que todo mundo sabe ter culpa no cartório?

Tudo isso me faz pensar se as ações policiais do regime militar também nào foram desproporcionalmente criticadas, justamente pelo fato de também terem atingido filhos da alta sociedade. Às vezes, penso ler nas entrelinhas que incomodava mais a ditadura desconsiderar sensibilidades nobiliárquicas do que pelo que ela realmente fazia de errado (tortura & cia.).

Conforme Percival de Souza, "o know-how dos porões veio da Polícia Civil de SP". Pobre sempre apanhou da polícia, e continuou apanhando depois da "redemocratização".

Diz-se que a ditadura matou 300 inimigos políticos ao longo de 20 anos. A gente era feliz e não sabia: só nesta última semana, a polícia brasileira matou 6 inocentes em ações desastradas, o que dá 300 por ano.

Sexta-feira, Julho 04, 2008

SIGPIPE

É, a vasectomia está feita. Alguns fatos aleatórios sobre o procedimento:

1) O Dormonid não me fez dormir, nem mesmo me deixou "zen", e tive de encarar a injeçãozinha da anestesia bem acordado. Assim, a contagem de 27 anos sem tomar injeção (não contando retiradas de sangue e injeções venosas) volta a zero. Não doeu, apenas picou, e assim está patente que meu medo de injeção é covarde e sem fundamento :)

2) O procedimento em si é muito rápido, coisa de 15 minutos, e ele mesmo não dói, obviamente devido à anestesia local. Incomoda um pouco o saco escrotal que reage à invasão e se contrai, comprimindo os testítculos que não estão anestesiados.

3) A anestesia local é de curta duração e o médico tem de trabalhar rápido. Já deu para sentir as picadas na hora de fazer os pontos. Nada terrível, mas se tivesse demorado mais, doeria bem.

4) O médico fez uma única incisão, logo abaixo da base do pênis e um pouco à direita, e dali acessou os dois canais deferentes. Isso dá mais trabalho ao médico, mas é uma incisão a menos para fechar e cicatrizar.

5) Apesar de ser um procedimento simples, vai ter um "molho" de 3 ou 4 dias. Estou sentindo uma colicazinha, como se tivesse levado um chute no saco anteontem. É interessante que a dor está "longe" do lugar da intervenção (os nervos no interior do corpo são imprecisos em localizar a dor).

Segunda-feira, Junho 30, 2008

Pudim de leite, ou "banho-maria"

Ativei o Webalizer no meu site, e por incrível que pareça, uma das páginas com mais hits é uma receita de tapioca elaborada a partir de polvilho doce. Assim, já que a galera gosta mesmo é de comer, segue mais uma receitinha: pudim de leite, ou "banho-maria" como alguns do Sul costumam chamar.

Os únicos ingredientes são: açúcar, leite condensado, leite e ovos. Dos quais um é redundante pois leite condensado é leite com açúcar cozido até engrossar. É incrível como uma coisa tão gostosa possa ser elaborada a partir de ingredientes tão ordinariamente disponíveis. Na verdade, se analisarmos a receita da maioria dos alimentos, uns 30 ingredientes no máximo cobrem 99% das receitas.

COMO PREPARAR

O implemento ideal é uma panela+fôrma de banho-maria vendida como um conjunto, embora aqui nós improvisemos com uma fôrma de bolo (daquelas redondas com um calombo no meio, bem daquelas pra fazer bolo de pobre) e uma panela grande que conterá a água. O fogo esquenta a água e a água fornece o calor do cozimento, daí o nome "banho-maria" que alguns dão ao pudim. A água como meio de transmissão do calor garante que a temperatura de cozimento nunca vai passar de 100 graus.

Coloque cinco colheres de sopa cheias de açúcar na fôrma e leve DIRETAMENTE ao fogo para formar uma calda de caramelo. O ponto é preferência pessoal. Pessoalmente, gosto a calda muito escura, com gosto de queimado mesmo, e este ponto é atingido quando a cada começa a espumar. Quem prefere calda mais clara pode adicionar 1 ou 2 colheres de sopa de água para o açúcar dissolver a temperatura mais baixa. Uma vez formada a calda, tire do fogo e reserve.

Num liquidificador, misture os seguintes ingredientes: uma lata de leite condensado, 2 medidas adicionais de leite (use a lata vazia como media), e 4 a 6 ovos inteiros. Bata apenas para misturar (coisa de meio minuto), despeje na fôrma com a calda de caramelo, e coloque a fôrma dentro da panela com água aquecida. Deixe o pudim cozinhando por 40 minutos.

Quanto mais ovos, mais consistente e com mais gosto de ovo fica. Com 4 ovos o gosto e a textura ficaram incríveis, porém fica impossível desenformar sem quebrar tudo, só ficou firme uma vez gelado (e amorfo). Com 6 ovos, o pudim de leite da foto endureceu logo e desenformou facilmente.

Eu particularmente gosto de adicionar ainda um pouco de açúcar de baunilha, mas a Ana não gosta, então fica de fora aqui. Alguns gostam do pudim de leite ainda mais doce e adicionam açúcar normal à mistura, mas quem faz isso deveria procurar um endocrinologista porque já fica doce o suficiente sem isso :)

VERSÃO SOVINA DO PUDIM DE LEITE

Como o leite condensado é nada mais que leite e açúcar na mesma proporção em volume, pode-se substituir a lata de leite condensado por 1 medida de leite e 1 medida de açúcar. Como a mistura vai ficar um pouco mais diluída, é aconselhável usar 6 ovos.

Pessoalmente, acho que o leite condensado deixa o pudim com consistência mais lisa, mas tem gente que consegue fazer o pudim bem liso sem usar leite condensado. Não sei o segredo.

Projeto de lei contra homofobia

Semana passada deu o que falar o tal projeto de lei que tipifica o crime de homofobia. Há várias semanas, o pastor Silas Malafaia e outros têm feito uma campanha contra o tal projeto de lei, alegando que ele vai cercear as liberdades de expressão e opinião.

Na última sexta-feira, o Espaço Público da TV Brasil trouxe um deputado pastor evangélico (um tal de Rodovalho) e um representante de associação foobar de LGBT (essa nova sigla ficou mais fácil de lembrar para mim, porque é análoga a IGBT, um tipo de transistor utilizado em locomotivas elétricas).

Bem, foi patético. Nem um nem outro conseguiu defender de forma coerente o seu ponto de vista. O deputado foi especialmente decepcionante porque, sendo deputado, deveria ter preparado-se melhor. Ele socou-se num canto, dizendo que "crime de injúria já é previsto na lei" e dali ele não saiu mais, sendo que existe crime específico para racismo, que também caberia debaixo do guarda-chuva da injúria, e ele não soube explicar porquê.

A bola ficou quicando na área, sem goleiro... e o LGBT também perdeu a oportunidade de fazer aquele golaço. Ficou tergiversando sobre os direitos dos gays desde a Pré-História e nem mesmo instado pelos jornalistas tratou de estabelecer o paralelo com a lei anti-racismo.

Bem, temos aqui um caso interessante. Vamos analisar a validade deste projeto de lei.

1. Em tese, os crimes de homofobia enquadram-se mesmo no crime de injúria e/ou agressão.

2. No entanto, o mesmo vale para os crimes de racismo. O crime de racismo tem tipificação especial e penas mais severas porque o legislador percebe este TIPO de injúria como mais grave, dado todo o histórico de discriminação contra o negro etc.

3. Note-se também que as penas dos crimes de injúria e agressão são notoriamente brandas no Brasil.

4. Considerando que o grosso da sociedade aceita a lei anti-racismo como válida -- pois é necessário um tratamento mais severo contra certos tipos de injúria, inclusive como fator de reeducação -- o projeto de lei que tipifica o crime de homofobia também pode ser válido, pois é perfeitamente admissível que este e outros tipos específicos de injúria sejam punidos com mais rigor.

5. Não procedem certos argumentos dos evangélicos como "esta lei vai permitir pedofilia porque ningúem vai poder contestar a preferência sexual do pedófilo". É muito diferente, porque o pedófilo é perpetrante, não vítima; e já existe previsão no Código Penal (e no ECA) para o crime de pedofilia.

6. O que -- talvez -- esta lei provoque é uma discussão judicial de conflitos do direito do gay contra o direito de livre associação de outras pessoas. Nos EUA, houve o famoso caso onde os gays processaram o Movimento Escoteiro, pois este não aceita gays por lá. A Suprema Corte decidiu em favor dos escoteiros pois é lícito um clube privado selecionar seus membros por quaisquer critérios, por mais estapafúrdios ou exóticos que sejam. O mesmo quanto a aceitação de gays em igrejas etc. etc.

7. Outro objeto certo de contestação são as penas previstas na lei, que podem ser maiores para uma ofensa homofóbica do que para o homicídio. Algo semelhante acontece no novo Código de Trânsito; não sei como os juízes têm lidado com isso.

Especificamente para quem mata uma pessoa dirigindo um automóvel de forma perigosa, é perfeitamente aceitável que a pena seja maior que o homicídio simples, pois há o dolo eventual (o motorista "não estava nem aí" se alguém morresse) e o agravante da responsabilidade. Como juiz, eu pensaria assim.

Temos também alguns fatores extra-jurídicos na jogada. Um promotor presente no Espaço Público mencionou que "toda minoria quer ter uma lei para chamar de sua". Isto é verdade; corremos o risco de entupir ainda mais nosso ordenamento jurídico que quisermos segregar cada subtipo de injúria ou agressão sob uma lei diferente. Emplacar uma lei específica é vista como uma "vitória" pelas minorias, mas na prática isso não resolve nada.

Outra possível discussão é se os direitos dos gays são tão merecedores de proteção especial quanto os crimes de racismo; ou mesmo se uma lei para isso teria qualquer eficácia. Eu não conheço o problema de perto, portanto não tenho a mínima idéia de uma resposta. Discriminação racial eu já vi acontecer na minha frente, não foi nada agradável, mas infelizmente nem mesmo a atual lei anti-racismo resolveria o caso, pois o governo ainda não pode ler a mente das pessoas. Entra o fator "caráter educativo" da lei anti-racismo, sobre o qual poderíamos escrever um livro inteiro e ainda não chegar a uma conclusão :)

Ampliando o raciocínio, todos os demais direitos deveriam ser objeto da mesma proteção, não apenas os chamados "direitos humanos". Se alguém rouba seu dinheiro na rua, seu direito humano foi desrespeitado, afinal o direito à propriedade também pode ser considerado direito humano. É perfeitamente possível que aquele dinheiro roubado fosse tudo que a pessoa tivesse para alimentar-se durante um mês.

Mas, se um emprego é negado a um negro ou a um gay, ele não terá dinheiro. Assim, ele incorre em dois riscos: não ter emprego, e ainda por cima ser roubado. Olhando por esse aspecto, a tutela legal específica para minorias faz novamente sentido.

Pessoalmente, espero que o direito à opinião e livre associação continuem tendo prioridade maior no ordenamento jurídico.

Por exemplo, eu não ficaria feliz se meu filho fosse gay. Não deixaria de ser meu filho, mas jamais aceitaria por exemplo que ele trouxesse o "genro" para visitar os "sogros". Eles lá, eu aqui. Este é meu direito de desgostar de alguma coisa -- e manifestar esta preferência num blog -- assim como eu nunca pintaria minha casa de laranja já que gosto de verde. Resta saber se este tipo de limite vai ser respeitado.

Finalmente, o nome popular do crime -- homofobia -- é infeliz pois induz à confusão de conceitos. Uma coisa é alguém não gostar ou ter medo de determinada coisa (fobia); outra é ter ódio daquela mesma coisa; e ainda outra é cometer um crime baseado na fobia ou no ódio. (Nos EUA, o "crime de ódio" tem tipificação penal especial.) Mas confusão semelhante já acontece em outras tipificações, como no caso da pedofilia, que é uma parafilia (ou doença) e não um crime "per se" (e ainda propositadamente confundida com efebofilia).

E agora, os comments inflamados :)