Matemática financeira 101
A reportagem "Milionários detêm riqueza equivalente a meio PIB do Brasil" (http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u312011.shtml) tenta marcar um ponto no estilo de reportagem "desigualdade", mas ocorreu-me que pode servir como bom exemplo para uma aula de matemática financeira.
Um grupo de 130 mil pessoas possuindo (em patrimônio) metade do PIB parece grande coisa, soa como se elas possuíssem metade do Brasil. Mas precisamos distinguir patrimônio (que é algo estático) de renda (que é gerada dinamicamente). O PIB do Brasil é o total da renda. Temos de tentar calcular o patrimônio total do Brasil, que é um número bem maior, para então tentar comparar esse patrimônio total com o patrimônio dos milionários.
A regra de ouro do capitalismo é que o juro-base da economia reflete a renda mínima que alguém consegue extrair de determinado patrimônio - seja ele qual for: imóveis, máquinas, dinheiro, conhecimento, etc. A taxa-base é o juro que o governo paga por seus empréstimos, pois é (em tese) o melhor pagador do país. Qualquer outro tomador de empréstimo vai pagar mais pois o risco de calote é maior.
Por outro lado, qualquer detentor de capital vai querer receber mais que a taxa-base como rendimento do capital. É por isso que tanto se reclama quando o governo brasileiro paga demais pelos seus empréstimos; porque qualquer atividade que renda menos que isso será desencorajada. Energia elétrica é uma dessas atividades, hoje.
Considerando o juro atual do Brasil como 10% ao ano, isto significa que o patrimônio total do Brasil, necessário para gerar o PIB, é igual a dez vezes o PIB (PIB dividido por 0.10).
Quando o juro-base cair para 6% ao ano, o patrimônio total será de PIB / 0.06 = aproximadamente 17 vezes o PIB. Este patrimônio adicional (7 PIBs a mais) não vai surgir magicamente. Ou ele é acumulado por meio de investimento (poupança mesmo; reinvestir lucro ou salário ao invés de consumi-lo), ou esse patrimônio já existia mas estava sub-utilizado por conta do juro-base artificialmente alto.
Neste cenário, se os milionários detém meio PIB, significa que detém apenas um vigêsimo do patrimônio total do país. Ainda é uma concentração bastante alta, mas soa bem menos grave que metade do PIB.
Um grupo de 130 mil pessoas possuindo (em patrimônio) metade do PIB parece grande coisa, soa como se elas possuíssem metade do Brasil. Mas precisamos distinguir patrimônio (que é algo estático) de renda (que é gerada dinamicamente). O PIB do Brasil é o total da renda. Temos de tentar calcular o patrimônio total do Brasil, que é um número bem maior, para então tentar comparar esse patrimônio total com o patrimônio dos milionários.
A regra de ouro do capitalismo é que o juro-base da economia reflete a renda mínima que alguém consegue extrair de determinado patrimônio - seja ele qual for: imóveis, máquinas, dinheiro, conhecimento, etc. A taxa-base é o juro que o governo paga por seus empréstimos, pois é (em tese) o melhor pagador do país. Qualquer outro tomador de empréstimo vai pagar mais pois o risco de calote é maior.
Por outro lado, qualquer detentor de capital vai querer receber mais que a taxa-base como rendimento do capital. É por isso que tanto se reclama quando o governo brasileiro paga demais pelos seus empréstimos; porque qualquer atividade que renda menos que isso será desencorajada. Energia elétrica é uma dessas atividades, hoje.
Considerando o juro atual do Brasil como 10% ao ano, isto significa que o patrimônio total do Brasil, necessário para gerar o PIB, é igual a dez vezes o PIB (PIB dividido por 0.10).
Quando o juro-base cair para 6% ao ano, o patrimônio total será de PIB / 0.06 = aproximadamente 17 vezes o PIB. Este patrimônio adicional (7 PIBs a mais) não vai surgir magicamente. Ou ele é acumulado por meio de investimento (poupança mesmo; reinvestir lucro ou salário ao invés de consumi-lo), ou esse patrimônio já existia mas estava sub-utilizado por conta do juro-base artificialmente alto.
Neste cenário, se os milionários detém meio PIB, significa que detém apenas um vigêsimo do patrimônio total do país. Ainda é uma concentração bastante alta, mas soa bem menos grave que metade do PIB.


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