CPMF, Lula e Hitler
E novamente o Lula resolveu dividir a nação em duas, dizendo que "quem vota contra CPMF é rico e sonegador". A velha ladainha esquerda-boazinha versus direita-malvada. Nada como sentir-se como um judeu na Alemanha nazista. Na era FHC, acossado por não ser rico. Na era Lula, acossado por não ser pobre.
Só sei que eu votei no Lula (duas vezes) por considerá-lo um agregador. E estava indo no caminho certo durante boa parte do seu mandato. Mas ultimamente só o vejo dividindo as pessoas em A e B, e eu sempre acabo no conjunto B... Como se não fosse perfeitamente certo que muitas dessas divisões são criadas e mantidas pelo próprio governo.
Mais divertido ainda é ver gente pretensamente inteligente entrar nessa onda. Um dos convidados do Espaço Público de ontem ironizou que "o DEM quer agradar àquela classe média que percebe estar pagando impostos demais e quer negar um dinheirinho à mais à empregada". Talvez eu devesse contratar uma empregada para me desforrar dos impostos que pago? Até ontem eu não sabia que o governo bancava mão-de-obra barata para a classe média...
Por algum motivo, lembrei-me de uma passagem do livro "Hitler", de Joachim Fest. Em algum momento do início da sua carreira política, Hitler reclamou dos judeus, dos ciganos, dos banqueiros, dos socialistas, dos... Então alguém respondeu a ele (com muita licença poética da minha parte): "Bitcho, fazer política é administrar diferenças. Se tu queres homogeneidade, vais trabalhar num laticínio".
Devido a isso e mais o suicídio da sobrinha (a única mulher que ele realmente amava), Hitler quase desistiu da política. E a história do mundo teria sido outra, provavelmente bem melhor (mas com uma chance um pouco maior de já estarmos todos mortos devido à guerra nuclear).
Vamos ver se o Lula acerta a hora de sair como o Mandela, ou espera a biografia azedar como Hitler e Chavez.
Só sei que eu votei no Lula (duas vezes) por considerá-lo um agregador. E estava indo no caminho certo durante boa parte do seu mandato. Mas ultimamente só o vejo dividindo as pessoas em A e B, e eu sempre acabo no conjunto B... Como se não fosse perfeitamente certo que muitas dessas divisões são criadas e mantidas pelo próprio governo.
Mais divertido ainda é ver gente pretensamente inteligente entrar nessa onda. Um dos convidados do Espaço Público de ontem ironizou que "o DEM quer agradar àquela classe média que percebe estar pagando impostos demais e quer negar um dinheirinho à mais à empregada". Talvez eu devesse contratar uma empregada para me desforrar dos impostos que pago? Até ontem eu não sabia que o governo bancava mão-de-obra barata para a classe média...
Por algum motivo, lembrei-me de uma passagem do livro "Hitler", de Joachim Fest. Em algum momento do início da sua carreira política, Hitler reclamou dos judeus, dos ciganos, dos banqueiros, dos socialistas, dos... Então alguém respondeu a ele (com muita licença poética da minha parte): "Bitcho, fazer política é administrar diferenças. Se tu queres homogeneidade, vais trabalhar num laticínio".
Devido a isso e mais o suicídio da sobrinha (a única mulher que ele realmente amava), Hitler quase desistiu da política. E a história do mundo teria sido outra, provavelmente bem melhor (mas com uma chance um pouco maior de já estarmos todos mortos devido à guerra nuclear).
Vamos ver se o Lula acerta a hora de sair como o Mandela, ou espera a biografia azedar como Hitler e Chavez.


2 Comentários:
Às 1:19 PM ,
robteix disse...
Não sei se era necessário invocar a Lei de Godwin no assunto, mas tudo bem.
A tática de Lula é comum. Trata-se de dividir para conquistar. Nos EUA, os Republicanos fazem isso separando a população entre os "patriotas" (que concordam com eles) e os "anti-americanos" (aqueles que discordam). Na América Latina é o "povo" e a "elite".
A razão pela qual isso funciona é a necessidade natural humana de se sentir parte de algo. Lula faz com que aquelas pessoas mais pobres, que nunca tiveram muito na vida, sintam como se fossem realmente parte do governo. São o "povo".
Lula usa muito o argumento de que é do povo também. Gosta de falar sobre como era operário e em como perdeu o dedo em uma prensa. Há de notar-se alguns pontos.
Primeiramente, Lula trabalhou como operário entre 1963 e 1968. Ponto.
Em segundo lugar, se você já viu uma prensa elétrica, diga como é possível perder o dedo mínimo sem ajuda.
Mas se Lula intencionalmente perdeu o dedo para aposentar-se por invalidez (como tantos outros o fizeram na época, que pagava aposentadoria integral) nem vem ao caso. O ponto é que o "povo" vê nem um espelho de sua própria realidade. Funciona.
É o mesmo processo que elegeu Evo Morales na Bolívia.
Às 3:16 PM ,
EPx disse...
Note que eu não acho que o Lula seja desonesto. Meu problema com o Lula é ele ter vendido o peixe da agregação e no momento estar entregando a moréia do sectarismo (essa figura de linguagem ficou PODRE, mas não sou poeta :)
Não acredito muito que o Lula teria se auto-mutilado para ganhar uma aposentadoria de operário. A aposentadoria de um operário nos anos 60 não era exatamente um negócio da China.
Nem tampouco o Lula teria feito isso para alegar 40 anos depois que é um homem do povo. Ninguém consegue prever o futuro...
Agora, certamente o seu passado difícil influencia no seu ponto de vista. Certamente ele deve ficar chateado que muita gente que viveu uma vida muito mais confortável critica-o pesadamente. Inclusive eu.
Mas foi ele quem quis ser presidente. Tentou quatro vezes, e conseguiu. Agora é meu presidente e vai ser alvo das minhas críticas quando eu achar que alguma coisa está errada.
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