Rightwinger

Blog pessoal EPx

Domingo, Dezembro 30, 2007

Explorador 1.0



Nerds são curiosos por natureza. E uma modalidade particular de curiosidade me afeta muito: conhecer as estradas e caminhos. Eu passo por uma rodovia, vejo uma estradinha secundária serpenteando mato adentro, e quase posso ouvir ela dizendo: "duvido que você descubra pra onde eu vou". E aquilo fica na minha cabeça, anos a fio, até eu resolver voltar lá e descobrir onde ela vai dar :)

Outra manifestação dessa curiosidade é olhar os mapas cartográficos do IBGE, ver um lugarejo ligado ao mundo apenas por caminhos aparentemente impraticáveis, e dá aquela vontade de ir lá, ver como as pessoas vivem naquela localidade, como são os acidentes geográficos, e se é afinal possível passar por aquelas estradas.

Tenho mapas 1:50000 do IBGE que cobrem um terço de Santa Catarina, portanto já fui mordido por essa curiosidade inúmeras vezes. Posso afirmar arrogantemente que, num raio de 150km de Joinville, eu conheço a terrinha como a palma da mão. Consigo me deslocar a qualquer cidade próxima sem percorrer um único metro de rodovia asfaltada.

E hoje em dia, alguns brinquedos adicionais tornam a exploração mais fácil: celular com GPS e o Google Earth.

Mas nos últimos anos eu dei uma relaxada, apesar de ter um veículo apropriado para andar nas estradinhas de terra. É aquela coisa, você vai deixando o passeio para a semana que vem, pro mês que vem, e um belo dia mudei para Recife e de repente todos aqueles lugares estavam fora de alcance.

Agora que voltei ao Sul, a mulher engravidou e tive de trocar a picape por um automóvel 1.0. Tudo conspira contra, mas estou passeando mais do que nunca. O Renault Clio está se agüentando bem; o pior que acontece é ter de engrenar a curtissima primeira marcha para subir alguma ladeira muito íngreme. Tem acontecido apenas uma vez a cada duas viagens.

Nos últimos dois fins-de-semana, explorei os limites dos meus mapas IBGE, e zerei de uma vez por todas a lista de lugares desconhecidos. No feriado de Natal, fui até Doutor Pedrinho/SC, voltei pela represa Alto Rio Preto, e visitei as represas Palmeiras e Pinhais na volta. Já em 1993 eu achava aquele lugar um paraíso, e muita gente parece ter concordado comigo; já há meia dúzia de hotéis-fazenda e inúmeras lindas casas de campo em volta dessas represas. E mesmo as estradas interioranas estavam devidamente sinalizadas e ladeadas de hortências -- turismo rural sendo levado a sério, em particular por Rio dos Cedros/SC.



Neste fim-de-semana, fui até José Boiteux/SC, e subi de volta a Doutor Pedrinho por uma estradinha (localidade de Alto Vigante) que era impossível de saber se era praticável, mesmo consultando o Google Earth. Outro complicador é que a estrada passa no coração de uma reserva indígena, onde houve litígio e enfrentamentos entre índios e agricultores até esses dias. Mas uma consulta a um morador local deu o "go-ahead": os índios afinal conseguiram a sua terra, tudo estava em paz, e a estrada estava praticável.

O trecho da estrada Vigante-Moema que passa pela reserva anda exatamente pelo topo da Serra da Moema. Esta serra é uma espécie de fronteira dentro do estado de Santa Catarina, dividindo o norte colonizado por alemães do meio-oeste colonizado por tropeiros de outros estados -- com direito a uma tribo indígena ensanduichada no meio. As cidades, as pessoas, a arquitetura e a paisagem são visívelmente diferentes dos dois lados da Moema.

Para quem se interessar pelos lugares mencionados acima:

Pousada em Rio dos Cedros

Outras informações sobre as represas de Rio dos Cedros

Informações sobre José Boiteux

Rating em Ibirama/SC (José Boiteux já pertenceu a Ibirama portanto a região toda é conhecida por "Ibirama" pela maioria)

Terça-feira, Dezembro 25, 2007

Retrospectiva 1997-2007

Hoje eu estava conversando com minha esposa Ana sobre o movimento da praia, que neste ano parece estar muito melhor do que os anos anteriores. Mas ainda falta algo para chegar no movimento absurdo que testemunhei na segunda metade dos anos 90, com ápice em 2000. Talvez esta praia aqui tenha caído fora de moda, mas ainda sou mais adepto da minha própria teoria: de que as pessoas ainda não têm tanto dinheiro sobrando quanto tiveram em 2000.

E desta constatação completamente empírica e com grandes chances de estar errada, fiz uma retrospectiva mental 1997-2007. Na minha vida particular, 1997 foi um ápice (embora eu não soubesse disso na época) e 2007 tem tudo para ser outro ano notável, pelo número de mudanças (grandes realizações profissionais, bebê a caminho, 3.3 litros a menos na cilindrada do carro, e possuir o próprio teto).

O mundo era bastante diferente em 1997, e francamente mais amigável à classe média emergente. Bem-vindo a um mundo onde o barril de petróleo custa US$ 10 e o Bill Clinton está no poder.

Gasolina a 0.75 o litro. Uma picape S-10 V6 custava 26.000 reais. Aplicações financeiras de renda fixa pagavam 3% ao mês. No espaço de um ano, uma linha telefônica que custava 5.000 reais estava valendo 500, e todo mundo já sabia que "bolsas de telefones" eram um negócio fadado a desaparecer. Foi um privilégio ter vivido naquela época estando num bom emprego e ainda morando com os pais.

Naturalmente, tais facilidades eram fruto de severas distorções. Um bom terreno valia metade de uma S-10. Imóveis em geral eram vendidos a preço de banana. Quem deu o azar de estar endividado nesta mesma época podia pagar taxas de até 14% ao mês. Ou pelo menos fingir pagar -- em 1997 correu um gigantesco abalo de crédito que quebrou inúmeros agiotas e factorings. Tal abalo não pegou os bancos oficiais, e portanto não teve tantas manchetes quanto merecia, pois os devedores tiveram tempo de trocar os credores formais pelos informais antes de quebrar. Ainda assim, alguns bancos como o Nacional realmente quebraram.

Ser pobre não era uma boa idéia em 1997. O salário mínimo era de 120 reais. Os programas de ajuda social, que hoje todo mundo aceita como coisa normal, simplesmente não existiam. Quando o botijão de gás passou de 10 reais para 30 reais em questão de um ano por conta do dólar flutuante, muita gente passou a usar lenha para cozinhar.

Em 1999, uma S-10 V6 já custava 37.000 reais. Um pouco cara, mas ainda acessível. O dólar flutuante já mostrava as garras, mas algumas coisas ainda estavam baratas: construir um sobrado ainda era possível por 50.000 reais no final de 2001.

Agora estamos em 2007. Bush no poder, barril de petróleo a US$ 100. Um litro de gasolina custa 2.70; e o litro de álcool custa praticamente o mesmo, joule por joule. Isto extinguiu as picapes com motores grandes a gasolina. E uma picape diesel nova custa próximo de 100.000 reais. Aqueles 37.000 reais que compravam uma picape em 1999 hoje compram um carro 1.0, é bem verdade que adicionado de alguns opcionais que nem deveriam ser opcionais.

Isso no Brasil, onde os impostos sobre a classe média estão maiores do que nunca. Os mesmos 37.000 reais compram um Mustang V8 nos Estados Unidos. Mas eu nem queria um Mustang, tá? :) Por outro lado, o álcool combustível foi reabilitado em grande estilo, e hoje podemos andar de automóvel queimando combustível 100% renovável.

Os imóveis custam quatro vezes mais em 2007 que 1997, porém as condições de financiamento muitíssimo melhores sobrepujaram este problema, a ponto de hoje a procura por imóveis ser muito maior que antes. Depois de 20 anos, o rendimento de um aluguel é novamente compatível com o rendimento de uma aplicação de renda fixa.

Os EUA balançam com a crise do subprime. No Brasil, nada acontece. Absolutamente nada. Sinal de que os anos 90 realmente ficaram para trás. Crise russa e crise mexicana parecem coisas mais distantes que a queda do Muro de Berlim...

Em 1997, os vôos atrasavam como hoje, e Congonhas estava entupido de gente como Guarulhos está hoje. Algumas coisas não mudam.

Ser pobre em 2007 é menos pior que em 1997. Está quase "na moda" ter origem semelhante ao do presidente. O salário mínimo é de 380 reais, os programas sociais estão em franca expansão. De repente, escassearam as desculpas dos pedintes. Com um pouco de sorte, teremos o programa de renda mínima 100% implementado em 2017.

Os mundos de 1997 e 2007 são, ambos, agradáveis de se viver, embora imponham desafios diferentes. Ambos são anos muito melhores que, por exemplo, 1981, 1991 e 2001.

O ano de 97 foi a grande festa da globalização, um oba-oba alimentado pelo petróleo barato. Foi perfeito para quem tinha um V8 na garagem e uma profissão em demanda. Foi ruim para quem estava "desalinhado". Apesar da insistência do Lula em dividir o Brasil em ricos e pobres, tal divisão era muito mais efetiva em 1997 do que hoje. O Windows NT ia dominar o mundo.

2007 apresentou desafios bem mais interessantes. Os alinhados não estão incrivelmente confortáveis, nem os desalinhados na lama. O petróleo caro finalmente colocou a energia renovável na ordem do dia. O euro ameaça o dólar como moeda global. A Apple vende Macs baratos e compatíveis com PCs. O software livre está na boca do povo. O Brasil está próximo de receber o "investiment grade" das agências de classificação de risco.

Cavalheiros, foi um prazer pilotar com vocês.

Sábado, Dezembro 22, 2007

Música, maestro

Nerd que se preze curte um train pr0n:

http://www.youtube.com/watch?v=j9TdrKx1qmw&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=LLhfGxcIxg4&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=_WUj-iiis_8&feature=related

Assim como a pornografia costuma ser estúpida, o amor pelos trens também tem aspectos "que a razão desconhece", como a fixação pelas locomotivas e pelo ruído lindo que elas fazem.

Quarta-feira, Dezembro 19, 2007

Transposição do Velho Chico

Tem algumas pessoas por aí que não gostam quando eu critico o governo ou o Brasil. Então, a quem interessar possa: eu votei no Lula na primeira eleição, teria votado na segunda eleição se estivesse no domicílio eleitoral. E foram votos contrários a minha ideologia de extrema-direita, portanto "valem por dois". É o governo que eu ajudei a eleger, e continuaria sendo "meu" mesmo que tivesse votado contra. Portanto, estou no meu direito de criticar quando eu achar que há algo de errado.

E este é o país que eu vivo; se os problemas estão aí, eles me afetam direta ou indiretamente, e é meu direito e meu DEVER reagir conforme as possibilidades. Definitivamente não sou do Clube dos Defensores da Jabuticaba -- cujo patrono deve ser Policarpo Quaresma -- um pessoalzinho que gosta de arrotar uma ideologia de esquerda, de pagar uma patriotada, e defender evidentes absurdos que só acontecem por aqui (assim como a jabuticaba, que só tem no Brasil. Daí o nome.)

E finalmente, digo ainda que apesar de tudo pretendo continuar no Brasil. Tem muita gente aí que gosta de me criticar à sombra da jabuticabeira, mas que vai se mudar pro estrangeiro na primeira oportunidade que aparecer. Sem contar os que já o fizeram. De modo que vão à merda.

Mas desta vez eu quero elogiar uma iniciativa do governo: a transposição do rio São Francisco. Uma obra devida há séculos, que vai retirar 1,5% da água do mesmo -- 26 metros cúbios por segundo. Para se ter uma idéia, a vazão mínima do Chico é 1815 a 1830 metros cúbicos por segundo (o cálculo tem uma imprecisão inerente). Ou seja, vão retirar menos água do que a precisão do cálculo da vazão total...

Aí vem o padreco d. Cappio e faz greve de fome no intuito de chantagear o governo. E um monte de intelectualóides globais do naipe da Letícia Sabatella, que deve entender muito de hidrologia, apoiar a iniciativa do desgraçado.

Afinal, a quem interessa retardar essa obra?

Costumo dizer que o filme "Tropa de Elite", o livro "Poderoso Chefão" e a Bíblia Sagrada são pequenos universos, onde pode-se buscar orientação, analogias e mesmo frases jocosas para absolutamente toda situação da vida real. Então vamos tentar o Poderoso Chefão. Lá pelos 2/3 do livro, Michael Corleone foge para a Sicília, e conhece a verdadeira e velha Máfia.

E como é que a Máfia mantinha seu poder na Sicília? Controlando os poços de água.

Quando o governo italiano tentava construir uma barragem, o que a Máfia fazia? Primeiro, tentava sabotar a obra politicamente. Quando isso não funcionava, sabotava fisicamente.

Michael Corleone esperava encontrar uma terra árida ou desértica quando estava indo para a Sicília, mas encontrou uma terra bonita e fértil. A pobreza não era conseqüência da Natureza, era obra engendrada pelo homem. O engraçado é que o sul da Itália sempre foi muito mais influente politicamente que o norte, apesar da sua pobreza.

Deu pra notar as semelhanças?

O argumento central do padreco é que a água nào vai ser usada para consumo humano (até porque água para consumo humano é problema praticamente resolvido no Nordeste -- basta armazenar água da chuva, até no oeste de Santa Catarina já fazem isso) e sim para fomentar o agronegócio. O mítico pequeno produtor rural ficaria de fora.

Mas afinal, onde é que as pessoas vão arrumar emprego e renda senão numa empresa? E se tiverem pouca instrução e residirem na zona rural, que empresa seria essa senão uma ligada à atividades primárias como agricultura ou pecuária?

Alega também D. Cappio que "há pessoas a 500m do rio que sofrem com falta de água". Então é por completa e total burrice delas. Ou talvez porque alguém lhes obsta (*) o acesso ao rio. Problemas ortogonais à transposição. Desculpinha esfarrapada tá aí.

Não admira esse padreco se intitular DOM Cappio. O honorífico é bem apropriado. Tutti cosa nostra.

(*) Viu só Heloisa Helena? O verbo é "obstar", não "obstaculizar". Talvez o FHC também devesse prestar atenção à essa dica, embora eu seja menos bem educado que ele (ninguém diz "pior educado", portanto também é errado falar "melhor educado").

Quinta-feira, Dezembro 13, 2007

Mountain bikes

Pelo meu visual "chubby" ninguém diria que já andei de bicicleta. Mas andei, e muito. Nunca em competições (aí seria pedir demais...) mas fui bastante longe, cheguei a andar 200km num único dia, com direito à duas subidas de serra. Mochila nas costas, barraca no bagageiro e lá íamos nós.

Da turma original que fazia cicloturismo, atualmente eu sou mesmo o mais vadio. Mas o fato é que ninguém ficou no mountain bike. Um faz canoagem, o outro é chefe escoteiro, o terceiro faz parte de um clube de motociclismo... e eu às vezes ando um pouquinho à pé :)

Para voltar à ativa, comprei há uns tempos atrás uma mountain bike nova. Sem dúvida é a melhor bicicleta que já tive na vida, e nem saiu tão cara. Aliás, a Caloi pode ser uma empresa com graves problemas financeiros, e que já produziu muita porcaria no passado, mas as bicicletas atuais dela são boas. Eu fui na loja para comprar uma Trek e saí com uma Caloi. Na faixa de preço, a Trek não teve chance -- só se eu fosse da classe média 0.85 que gosta de ostentar coisas importadas.

Deu uma certa raiva a gente não ter tido acesso a equipamento tão bom e acessível na "nossa" época -- início dos anos 90. Para não alongar muito, só vou mencionar a suspensão. Em 1993 eu adaptei suspensão à minha bike. Custou 350 dólares, e ficou uma droga. Parecia que a bicicleta sugava todas as minhas forças, e não ajudava em nada a amortecer os impactos. E, um ano depois, um dos lados simplesmente travou.

Já a Caloi Elite, que vem com uma suspensão considerada ruim, parece que você está andando numa moto. A pedalada rende e os impactos são totalmente amortecidos, mesmo com o pneu dianteiro bem cheio. Isso deve ter muito a ver com a geometria do quadro. A Caloi demorou anos para acertar geometria, as Aluminum dos anos 90 tinham fama péssima nesse quesito. (As lojas nem sabiam que o tamanho do quadro tinha de se adequar à estatura do ciclista.)

Antes de comprar a bike, li muito sobre o assunto (Internet... outra coisa que não tinha em 1992) e achei interessante "as voltas que o mundo dá" em termos de materiais de construção de quadros.

Bem antigamente, como todo mundo sabe, todos os quadros eram de aço, exceto talvez as anoréxicas bicicletas de corrida, que não me interessam pois são frágeis demais para uso normal. O aço é confiável, soldável, barato, e pode ser encontrado e trabalhado em qualquer canto do mundo.

Aí o mountain biking também começou a sofrer de anorexia, e a obsessão pela diminuição de peso (e por gastar mais grana) trouxe os quadros de alumínio. Demorou anos para os fabricantes acertarem com o alumínio, já que ele não é facilmente soldado e não tolera maus-tratos. Como muitos sabem, um tubo de alumínio só tem resistência porque é um perfil; basta uma pequena mossa e ele dobra que nem papel... Mas hoje temos quadros de alumínio muito confiáveis.

Depois veio o titânio, ainda mais leve. Houve algumas tentativas exóticas de usar estruturas cerâmicas dentro do alumínio para aumentar a resistência. E finalmente, o Santo Graal: a fibra de carbono. O "must" do peso e preço.

Mas fibra de carbono, bem, é nada mais que plástico reforçado. Só é resistente quando usado exatamente da forma prescrita. Qualquer stress num lugar inesperado faz estragos -- um quadro de fibra pode rachar simplesmente porque um parafuso foi demasiado apertado, ou porque levou uma pancada lateral num tombo "normal".

Começaram a pipocar falhas estruturais em quadros de fibra, com sérias conseqüências para os atletas. Não é bom quando você está a 110km/h numa trilha de montanha, com árvores bem grossas passando perto do do seu rosto, e de repente a bicicleta resolve virar pó.

Finalmente, bicicletas de downhill começaram a ser fabricadas novamente em aço -- pra baixo todo santo ajuda, não importa o peso, e os tombos nessa modalidade são sempre feios.

E devagarinho essa tendência está chegando às mountain bikes convencionais. Tudo muito bem calculado, para evitar peso excessivo etc. etc. Mas é o bom e velho aço. A Vale do Rio Doce agradece... No fim das contas, descobriram que 1 ou 2 quilos de peso a mais valem pela segurança que dão. O mesmo acontece em relação aos freios a disco, que pesam muito mais que os "cantilever" mas todo ciclista quer.

Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

Palestra sobre Renda Mínima

Esses tempos, mandei uma mensagem de apoio ao senador Eduardo Suplicy em relação ao projeto de renda mínima. Para quem lê este blog, sabe que considero o programa de renda mínima muito superior ao Bolsa-Família, em diversos aspectos.

Naturalmente não esperava receber uma resposta do senador (ou mesmo de algum assistente). Mas não só recebi, como veio anexo um PDF com uma palestra sobre renda mínima. Deve estar disponível também no site do senador, mas provisoriamente vou disponibilizar por aqui também, para que os interessados tenham acesso.

Minha argumentação inicial contra o Bolsa-Família coincide bem com a do PDF (naturalmente o Suplicy fundamenta os argumentos um milhão de vezes melhor). Depois, nossos caminhos divergem. Eu considero a renda mínima como substituto melhorado da atual política de "inchar" o salário mínimo. O PDF do Suplicy não menciona nada nessa direção.

Sexta-feira, Dezembro 07, 2007

CPMF, Lula e Hitler

E novamente o Lula resolveu dividir a nação em duas, dizendo que "quem vota contra CPMF é rico e sonegador". A velha ladainha esquerda-boazinha versus direita-malvada. Nada como sentir-se como um judeu na Alemanha nazista. Na era FHC, acossado por não ser rico. Na era Lula, acossado por não ser pobre.

Só sei que eu votei no Lula (duas vezes) por considerá-lo um agregador. E estava indo no caminho certo durante boa parte do seu mandato. Mas ultimamente só o vejo dividindo as pessoas em A e B, e eu sempre acabo no conjunto B... Como se não fosse perfeitamente certo que muitas dessas divisões são criadas e mantidas pelo próprio governo.

Mais divertido ainda é ver gente pretensamente inteligente entrar nessa onda. Um dos convidados do Espaço Público de ontem ironizou que "o DEM quer agradar àquela classe média que percebe estar pagando impostos demais e quer negar um dinheirinho à mais à empregada". Talvez eu devesse contratar uma empregada para me desforrar dos impostos que pago? Até ontem eu não sabia que o governo bancava mão-de-obra barata para a classe média...

Por algum motivo, lembrei-me de uma passagem do livro "Hitler", de Joachim Fest. Em algum momento do início da sua carreira política, Hitler reclamou dos judeus, dos ciganos, dos banqueiros, dos socialistas, dos... Então alguém respondeu a ele (com muita licença poética da minha parte): "Bitcho, fazer política é administrar diferenças. Se tu queres homogeneidade, vais trabalhar num laticínio".

Devido a isso e mais o suicídio da sobrinha (a única mulher que ele realmente amava), Hitler quase desistiu da política. E a história do mundo teria sido outra, provavelmente bem melhor (mas com uma chance um pouco maior de já estarmos todos mortos devido à guerra nuclear).

Vamos ver se o Lula acerta a hora de sair como o Mandela, ou espera a biografia azedar como Hitler e Chavez.