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Sábado, Maio 24, 2008

Do tempo que Gradiente fazia coisa boa



A gente descobre que está ficando velho quando já tem lembranças suficientes para dizer "isso aconteceu NO TEMPO QUE tal coisa existia".

No meu caso, um bom exemplo é a finada Gradiente, sobre quem já falei mal neste blog, em referência a um home theater que eu tenho, e que após duas remessas para conserto na garantia, só se ajeitou quando eu mesmo abri (inicialmente para extrair componentes eletrônicos. Deve ter voltado a funcionar por não querer virar "doador de órgãos").

Mas eu tenho um aparelho Gradiente do tempo em que eles fabricavam coisas boas. É o CS-5 da foto, adquirido em 1990. É um mini-system anterior à disseminação dos CDs, com excelente qualidade de som, e diversas características únicas para a época:

* o rádio também pega os canais de TV;
* entrada para 12V;
* saída de 12V para alimentar aparelhos auxiliares;
* também funciona com pilhas D (embora uma carga de 8 pilhas D custe o equivalente a um carro usado, nunca coloquei pilhas nesse meu aparelho);
* entrada auxiliar e de toca-discos;
* mixer para microfone com controle de volume;

Os recursos do aparelho não fazem muito sentido hoje em dia, mas ele ainda é útil porque tem excelente qualidade de som. As próprias caixas acústicas costumam ser usadas em surround de home theater. No mínimo, o aparelho serve como som para o computador, e tenho usado este meu aparelho ligado no iPod para fazer um "barulho" no quintal. Fato é que, com o iPod, mini-systems joiados cheios de recursos perderam o sentido, na minha opinião.

Mas, voltando ao assunto inicial, deu pena ver a decadência e extinção da Gradiente. A concorrência dos importados (incluindo paraguaios) deve ter sido a causa principal.
A classe média 0,85 que curte comprar até papel higiênico do Paraguai mandou ver nos Aiwas e Cobys e Roadstars, desprezando o produto nacional (nunca vi um aparelho Aiwa realmente bom, por mais caro que fosse). Mas a Gradiente cometeu o erro de tentar concorrer no "low end" ao invés de tentar ficar no mercado "caro porém high-end" que era seu filão anterior.

Irônico é ver a CCE (cuja sigla era zoada como "Começou Comprando Errado" nos bons tempos) sobrevivendo como marca, e vende até computador hoje em dia. A CCE fez certo: uniu-se ao inimigo, importou coisas da China, estampou o nome em cima e sobreviveu.

3 Comentários:

  • Às 6:09 PM , Blogger Antenor S. Pfutzenreuter disse...

    Bela homenagem ao CS-5!
    Assim como a Gradiente cresceu e tornou-se líder no mercado brasileiro de áudio profissional a partir da década dos anos 70, o seu "tapete do sucesso" foi puxado com a abertura aos importados, no governo Collor, a partir de 1990, que exigiu novos paradigmas mercadológicos para enfrentar os "tigres asiáticos" e chineses.

     
  • Às 12:44 PM , Blogger Adriano disse...

    ...

     
  • Às 12:46 PM , Blogger Adriano disse...

    OpA. Meu nome é Adriano, tudo bem? Será que você consegue me informar a impedância deste Micro System?

     

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