Nunca serão!
Esses dias eu estava falando com um amigo sobre a validade de escrever em blogs, das vantagens e desvantagens, se é um tempo bem gasto etc.
De minha parte, posso dizer que escrevo nos meus blogs (que agora já são quatro, embora um deles, o Febeapá, esteja ainda "virgem") como uma maneira de fazer "braindumping", ou seja, pegar uma idéia que fica zanzando dentro da cabeça e colocar no "papel", porque assim ela pára de me incomodar. Gosto de escreve, e colocar algo por escrito disciplina e conforta a mente, organiza as idéias.
Eu costumo fazer isso há muitos e muitos anos, desde antes de possuir computador. Mas naturalmente a maioria dos meus escritos permaneceu incógnitos, e na verdade quase todos perderam-se. Comecei a guardar o que escrevia mais ou menos de 1999 para cá, quando tinha meu site e precisava gerar conteúdo. Desde então, juntei uma coleção razoável de artigos.
Então apareceu o tal do blog. Escrever um artigo demanda um "threshold" de ânimo bastante alto, e assim demora muito para a inspiração aparecer, entre um artigo e outro. Já o blog, por conta do formato, encoraja a escrever a toda hora, e escrever coisas mais curtas, que mais tarde podem evoluir para artigos.
Um problema colateral do blog é a publicidade. Você está expondo sua opinião para o mundo, e mesmo que arrependa-se e apague os posts ou mesmo o blog, existem serviços na Internet que registram para sempre o que você escreveu. Pode não ser algo muito aconselhável, dependendo da sua profissão. Por exemplo, se você for um advogado, e afirmar X no blog, e depois defender não-X no tribunal, certamente o advogado da outra parte vai tentar usar isso contra você, ainda que ninguém advogue senão por dinheiro.
Pessoalmente, como não sou advogado, acho que vale o risco. O blog fornece feedback quase instantâneo do que foi escrito, e isso dá uma boa pista de quando você escreveu algo relevante ou interessante. E pode crer, as pessoas respondem.
Naturalmente, nem sempre sai algo interessante deste processo. Eu sou o primeiro a admitir que a grande maioria dos meus posts são de pouco interesse para terceiros. Já ouvi algumas críticas a esse respeito. Mas definitivamente não tenho obrigação de sair com uma pérola literária a cada post, até porque os leitores não pagam nada por isso.
Como eu disse, meu objetivo primário em escrever no blog (incluindo este post aqui!) é fazer "brain dumping". Eu escrevo para *me* sentir melhor. Se, ao final deste processo, alguns posts saíram bons o suficiente para merecer consideração de terceiros, é uma feliz coincidência.
É como o curso do BOPE: qualquer um pode entrar... mas de cada cem inscritos, em média apenas cinco passam no curso. "E na minha turma, parceiro, foram três." Para os alunos recém-chegados, o aviso: NUNCA SERÃO! Partindo de expectativas baixas, evitam-se decepções.
É por isso que, de tempos em tempos, costumo eliminar os posts que não são particularmente bons. Já tendo cumprido a função de braindump, e não sendo mais úteis para ninguém, não precisam ficar lá como testemunhas de momentos de pouca inspiração.
Lembro de um post em particular onde relatei um sonho extremamente vívido que tive. Escrevi detalhadamente o que tinha sonhado, depois reciclei o texto e postei no blog. Pensei que podia construir uma história a partir daquele fragmento. Mas definitivamente não sou Agatha Christie, e nada mais saiu daquilo. Até tentei delinear uma história em volta do sonho, mas esse negócio de achar construções abandonadas e perfeitamente funcionais no meio do mato começou a soar como LOST, e quem me conhece sabe que odeio este seriado. Sinal claro para mandar tudo ao lixo.
Talvez por isso eu nem sequer procure arrumar erros ortográficos e de digitação dos posts que já se foram. É perda de tempo, e sempre posso voltar a eles se eles sobreviverem à "limpeza".
Tenho opinião inconcludente sobre os agregadores de blogs (os "planets"). Por um lado, eles são interessantes pois dão audiência muito grande ao seu blog. Por exemplo, a grande maioria dos comentários que recebo neste blog são oriundos de leitores do agregador Valeta.
Por outro lado, os agregadores viciam um pouco os blogueiros agregados, pois eles tendem a escrever para aquela determinada audiência, e até mandar recados indiretos ou inserir "ovos de Páscoa" no texto voltados especificamente aos leitores daquele agregador. Isto também acontece comigo em relação ao Valeta.
Um outro problema do agregador é que você pode destoar do conjunto, e isso é ruim se o agregador inclui blogueiros muito mais inspirados que você. Pior ainda se esses outros blogueiros são seus colegas de trabalho, clientes ou fornecedores. Aí você fica se policiando sobre o que e quando escrever no blog -- desvirtuando completamente a idéia do blog, que é a liberdade de expressão ao extremo.
Foi exatamente isto que me levou a ter originalmente dois blogs, e depois três. O primeiro blog foi parar rapidamente em algum agregador do Maemo, onde a maioria dos leitores só entende inglês e posta tecnicalidades. Imediatamente, posts pessoais e em português ficaram "estranhos" lá. Para fugir disto, criei este blog aqui, e depois criamos (eu e mais alguns colegas) o #d00dz Finance, em parte pela crença que posts sobre finanças não seriam bem recebidos no Valeta...
Finalmente, se todo mundo lê você através de um agregador ao invés de no seu site, você não ganha AdSense.
Enfim, é o que eu tinha a dizer.
De minha parte, posso dizer que escrevo nos meus blogs (que agora já são quatro, embora um deles, o Febeapá, esteja ainda "virgem") como uma maneira de fazer "braindumping", ou seja, pegar uma idéia que fica zanzando dentro da cabeça e colocar no "papel", porque assim ela pára de me incomodar. Gosto de escreve, e colocar algo por escrito disciplina e conforta a mente, organiza as idéias.
Eu costumo fazer isso há muitos e muitos anos, desde antes de possuir computador. Mas naturalmente a maioria dos meus escritos permaneceu incógnitos, e na verdade quase todos perderam-se. Comecei a guardar o que escrevia mais ou menos de 1999 para cá, quando tinha meu site e precisava gerar conteúdo. Desde então, juntei uma coleção razoável de artigos.
Então apareceu o tal do blog. Escrever um artigo demanda um "threshold" de ânimo bastante alto, e assim demora muito para a inspiração aparecer, entre um artigo e outro. Já o blog, por conta do formato, encoraja a escrever a toda hora, e escrever coisas mais curtas, que mais tarde podem evoluir para artigos.
Um problema colateral do blog é a publicidade. Você está expondo sua opinião para o mundo, e mesmo que arrependa-se e apague os posts ou mesmo o blog, existem serviços na Internet que registram para sempre o que você escreveu. Pode não ser algo muito aconselhável, dependendo da sua profissão. Por exemplo, se você for um advogado, e afirmar X no blog, e depois defender não-X no tribunal, certamente o advogado da outra parte vai tentar usar isso contra você, ainda que ninguém advogue senão por dinheiro.
Pessoalmente, como não sou advogado, acho que vale o risco. O blog fornece feedback quase instantâneo do que foi escrito, e isso dá uma boa pista de quando você escreveu algo relevante ou interessante. E pode crer, as pessoas respondem.
Naturalmente, nem sempre sai algo interessante deste processo. Eu sou o primeiro a admitir que a grande maioria dos meus posts são de pouco interesse para terceiros. Já ouvi algumas críticas a esse respeito. Mas definitivamente não tenho obrigação de sair com uma pérola literária a cada post, até porque os leitores não pagam nada por isso.
Como eu disse, meu objetivo primário em escrever no blog (incluindo este post aqui!) é fazer "brain dumping". Eu escrevo para *me* sentir melhor. Se, ao final deste processo, alguns posts saíram bons o suficiente para merecer consideração de terceiros, é uma feliz coincidência.
É como o curso do BOPE: qualquer um pode entrar... mas de cada cem inscritos, em média apenas cinco passam no curso. "E na minha turma, parceiro, foram três." Para os alunos recém-chegados, o aviso: NUNCA SERÃO! Partindo de expectativas baixas, evitam-se decepções.
É por isso que, de tempos em tempos, costumo eliminar os posts que não são particularmente bons. Já tendo cumprido a função de braindump, e não sendo mais úteis para ninguém, não precisam ficar lá como testemunhas de momentos de pouca inspiração.
Lembro de um post em particular onde relatei um sonho extremamente vívido que tive. Escrevi detalhadamente o que tinha sonhado, depois reciclei o texto e postei no blog. Pensei que podia construir uma história a partir daquele fragmento. Mas definitivamente não sou Agatha Christie, e nada mais saiu daquilo. Até tentei delinear uma história em volta do sonho, mas esse negócio de achar construções abandonadas e perfeitamente funcionais no meio do mato começou a soar como LOST, e quem me conhece sabe que odeio este seriado. Sinal claro para mandar tudo ao lixo.
Talvez por isso eu nem sequer procure arrumar erros ortográficos e de digitação dos posts que já se foram. É perda de tempo, e sempre posso voltar a eles se eles sobreviverem à "limpeza".
Tenho opinião inconcludente sobre os agregadores de blogs (os "planets"). Por um lado, eles são interessantes pois dão audiência muito grande ao seu blog. Por exemplo, a grande maioria dos comentários que recebo neste blog são oriundos de leitores do agregador Valeta.
Por outro lado, os agregadores viciam um pouco os blogueiros agregados, pois eles tendem a escrever para aquela determinada audiência, e até mandar recados indiretos ou inserir "ovos de Páscoa" no texto voltados especificamente aos leitores daquele agregador. Isto também acontece comigo em relação ao Valeta.
Um outro problema do agregador é que você pode destoar do conjunto, e isso é ruim se o agregador inclui blogueiros muito mais inspirados que você. Pior ainda se esses outros blogueiros são seus colegas de trabalho, clientes ou fornecedores. Aí você fica se policiando sobre o que e quando escrever no blog -- desvirtuando completamente a idéia do blog, que é a liberdade de expressão ao extremo.
Foi exatamente isto que me levou a ter originalmente dois blogs, e depois três. O primeiro blog foi parar rapidamente em algum agregador do Maemo, onde a maioria dos leitores só entende inglês e posta tecnicalidades. Imediatamente, posts pessoais e em português ficaram "estranhos" lá. Para fugir disto, criei este blog aqui, e depois criamos (eu e mais alguns colegas) o #d00dz Finance, em parte pela crença que posts sobre finanças não seriam bem recebidos no Valeta...
Finalmente, se todo mundo lê você através de um agregador ao invés de no seu site, você não ganha AdSense.
Enfim, é o que eu tinha a dizer.


2 Comentários:
Às 12:25 AM ,
caio1982 disse...
Me lembrei do primeiro texto que li com copyright (ou copyleft) seu: "este manual é dedicado ao egrégio Doutrinador, o Príncipe dos Comedores,
por suas lições tão pacientemente ministradas"
Às 10:00 AM ,
roberto teixeira disse...
Bom artigo. Sinto a mesma coisa em relação ao valeta, que é um agregador "diferente" (já falo a razão). Eu escrevo para mim e me odeio cada vez que me pego pensando "ah, mas isso vai aparecer no valeta..."
O grande problema do valeta, e que o torna um agregador ruim, é que muita gente o acessa como fonte de comédia. E são pessoas que não entendem o que é um agregador. Já tive muita gente reclamando comigo que meus posts não são engraçados como o resto "desse blog" (referindo-se ao valeta, como se este um blog fosse)
Tenho um interesse pessoal pelo assunto de economia (o campo de estudos) e gosto de escrever sobre isso. Mas é difícil para uma audiência como o valeta onde se você falar algo sobre o efeito de impostos na economia, você é rapidamente taxado de CM1.0 :-)
Mas, claro, existem saídas. A melhor delas é um exercício mental: continuamente diga a você mesmo "o valeta que se #*@&!"
Eu escrevo para mim e sei que a audiência do valeta odeia o tudo o que tenho a dizer. Mas eles que peçam para o Claudio retirar meu blog de lá. Não me importa.
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