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Blog pessoal EPx

Sábado, Março 22, 2008

Por que gosto do Google e do Skype

O Google sempre suscita opiniões fortes, sejam favoráveis ou desfavoráveis. Pessoalmente, sou muito fã do Google, e as principais razões dessa admiração não são óbvias.

1) O Google tem provado que inúmeros serviços já existentes podem ser mais bem-feitos, mais bem implementados, ou mais bem pensados em termos de usabilidade. Nem o GMail, nem o Google Talk, nem o Google Maps, nem a grande maioria dos serviços Google são inéditos, mas por algum motivo eles conseguiram abocanhar boa parte da audiência em cada classe (e-mail, IM, mapas).

2) O Google tem feito isso usando protocolos e tecnologias abertas. O Google oferece o cliente Google Talk mas funciona com qualquer cliente XMPP -- e liberou a libjingle como software livre. O GMail só tem cliente binário para dispositivos móveis; o resto do mundo usa a versão Web ou mesmo o acesso via POP3/IMAP no cliente de e-mail de sua preferência. E assim por diante. Isso prova que não é necessário ser retentivo a respeito de padrões para se dominar um mercado.

E é mais um tapa na cabeça dos que vendem software mal-feito, lento, e ainda têm a veleidade de alegar problemas de performance performance para implementar protocolos fechados. (O IMAP costuma ser a vítima preferencial desse tipo de alegação.)

3) O Google não tem preconceitos a respeito de tecnologia, e procura usar o melhor que existe para cada problema específico. Às vezes nem mesmo usa o melhor, apenas procura fugir da "falácia da reescrita" -- caso do Orkut que é feito em ASP.NET. Muitos produtos do Google foram obtidos via compra de empresas menores, o que revela ausência da síndrome NIH.

Nem sempre o Google faz opções populares ou puras. Às vezes, nem mesmo um protocolo aberto é a resposta (o Skype -- que não pertence ao Google -- é o exemplo perfeito). Uma mistura interessante de tecnologias está vindo aí com o Android -- uma pilha Linux mais Java para dispositivos móveis.

4) O Google já aprendeu que a tendência dos serviços de informática é o ASP - Application Service Provider. Ou seja, quase tudo concentrado no lado servidor, e máxima flexibilidade do lado cliente. Isso novamente desemboca em usar protocolos abertos e/ou muita Web 2.0.

Por outro lado, muita gente por aí ainda não aprendeu isso...

5) O sucesso do Google não é excludente. O Google não tenta (não de forma ativa, pelo menos) sabotar esforços de concorrentes. Ao contrário: mais e mais negócios lucrativos estão sendo construídas em cima do que o Google oferece. Qual é a imobiliária que não usa Google Earth hoje em dia? Nem por isso é razoável supor que haverá um Google Worldwide Real Estate :)

6) E o mais importante de tudo, o Google prova que muito ainda está por ser desenvolvido no mundo da informática. Seja em coisas inéditas, seja em melhorar algo que já existe. E que muitos avanços nem mesmo são complicados ou custosos.

Infelizmente, muita gente na nossa profissão acredita que nada de novo resta ser criado. Eu tenho ouvido isto de inúmeros colegas, desde que comecei a trabalhar com informática, e lá se vão 20 anos, e o fluxo de novidades nunca decepciona.

Inspirado por tal constatação, tive o prazer de desenvolver a calculadora HP-12C em Javascript. É algo pequeno, simples, que só me deu prazer, mas por incrível que pareça é inédita.

Gostar do Skype é mais difícil. O Skype parece fazer tudo ao contrário do Google; o exemplo mais gritante dessa diferença é o protocolo de VoIP fechado, implementado por binários fechados.

O Skype só tem uma coisa boa: ele funciona, e as alternativas abertas não. Eu adoraria que não fosse o caso, mas é. Resumidamente, as razões são:

* Apesar de ser o principal protocolo aberto para VoIP, SIP é totalmente inadequado para o "VoIP casual" que o Skype faz tão bem. O Google Talk chega mais perto, com suas extensões ao XMPP;

* O gateway para telefonia convencional (SkypeIn/SkypeOut) está à mão e é fácil de usar, enquanto um gateway SIP exigiria contratar o serviço, configurar o servidor proxy etc.

Ironicamente, o único serviço que enxergo como possível concorrente sério ao Skype no futuro, é o Google Talk, desde que lhe seja adicionado um gateway PSTN.

Terça-feira, Março 18, 2008

Queridos Amigos e a estética da tortura

É realmente engraçado como as modas acontecem em ciclos. E é um privilégio ter vivido o suficiente para ter visto ao menos um destes ciclos descrever uma meia-volta completa.

O "personagem do ano" em 2007 foi o Capitão Nascimento; outro personagem com boa popularidade há vários anos é o Jack Bauer, do 24 horas. Todo mundo sabe o que eles fazem: torturam e matam, em nome do combate ao terrorismo e ao tráfico. Com aquele toque anos 90 de serem paus-mandados da esposa, afinal o ciclo da sociedade maternalista é longo e está só começando.

Mas as pessoas querem ver ação e querem ver bandido na cadeia, não interessa a motivação subjacente dele. E todo mundo gosta de ver 24 Horas, mesmo alguns amigos meus que se dizem esquerdistas!

A contra-prova de que estamos num outro ciclo é o seriado. Queridos Amigos da Globo. A única possibilidade que concebo para esse horrível seriado ter sido feito, é que alguns zumbis dentro da Globo precisam manter o emprego, aí criam esse tipo de "sweat work" para mantê-los ocupados e na folha de pagamento. Gente que tem o relógio interno travado em 1/1/1970, talvez por ter tomado choque demais no pau-de-arara :)

Parece de propósito, pois o seriado só consegue exacerbar a estupidez dessa gente. Pessoas que não conseguem retomar suas vidas 20 anos depois dos embates contra o regime militar. Eternas vítimas do mítico torturador, sofrendo com suas lembranças enquanto dirigem seu Porsche...

O seriado é ambientado em 1989, portanto o conforto espiritual das vultosas pensões aos perseguidos do regime militar ainda está a caminho. (Não tendo sido machos o suficiente nem para vingar-se pessoalmente dos torturadores, nem para esquecer o assunto e tocar a vida para frente, vingaram-se em cima do povo, que paga tais pensões via impostos.)

O engraçado é que inúmeros seriados e filmes abordam a coisa na mesma perspectiva, mas por algum motivo, a gente aceitava essa linguagem, até uns 10 anos atrás. Mas o zeitgeist mudou e nossa tolerância está diminuindo.

Um personagem recorrente nos filmes e seriados dos anos 80 é o cara que lutou no Vietnã e não consegue superar seus traumas. Rambo é um deles. Os protagonistas do Trovão Azul e do Águia de Fogo engrossam a lista. (Vietnã e helicópteros têm uma ligação toda especial.) Há muitos outros exemplos.

Assistindo tais produções hoje em dia, elas são tão ou mais patéticas que o seriado Queridos Amigos. Ao menos os ex-combatentes do regime militar brasileiro deram um jeito de permanecer ricos. John Rambo era um mendigo, no início da série. (Nunca, em lugar nenhum do planeta, um piloto experiente de helicóptero a turbina ficaria desempregado, a não ser que voluntariamente escolhesse viver da pensão de veterano.)

O público presente quer heróis que saibam virar a página, sobrepujar seus opositores, e perdoá-los, e lucrar em cima desse perdão.

O atual candidato republicano à presidência dos EUA passou 5 anos como prisioneiro de guerra. No Vietnã. Mas também o Lula foi preso no regime militar e teve um irmão torturado. No dia da posse como presidente, a Globo colocou frente a frente o Lula e os policiais que haviam-no prendido. Os policiais com aquela cara de "estamos ferrados", e o Lula deixando claro que aquilo era página virada.

Talvez o Planalto tenha motivos de ordem bem mais subjetiva para preferir o McCain :)

Voltando ao sucesso do Jack Bauer e do Capitão Nascimento, talvez haja algo de preocupante aí. Temos a glamourização da tortura. Embora eu não tenha vivido nos anos 60, posso perfeitamente imaginar que os "agentes da repressão" gozavam de boa fama na época, analogamente aos personagens citados.

Mas se a História nos ensinou algo nos últimos 40 anos, é que esse tipo de repressão, quando deixa de ser pontual (e sempre tende a deixar de ser pontual!), acaba criando mais problemas do que resolvendo. Isso aconteceu no Brasil com a tentativa de golpe da "linha dura" contra Geisel, aconteceu na França quando a OSE tentou matar De Gaulle, e aconteceu até no mundo da ficção, onde o pai e o irmão do Jack Bauer acabaram virando vilões.

Os cabeças da OSE francesa foram condenados à morte. Já os "agentes da repressão" brasileiros foram anistiados, e honestamente me surpreende o quão subterraneamente eles vivem. Também eles não souberam "virar a página" e admitir que cometeram, no mínimo, um erro tático que jogou o tenentismo no lixo da História. Com o toque loser adicional de não serem influentes na mídia, e portanto não poderem extravasar os sentimentos através de um mau seriado na TV.

No livro "Autópsia do Medo", há uma citação do delegado Fleury: "os fins justificam os meios e os meios justificam os fins". A última parte merece atenção: "os meios justificam os fins". Sem querer, o Fleury matou a charada -- meios e fins são indissociáveis, e contaminam-se mutuamente.

Jack Bauer e Capitão Nascimento nunca acabariam bem agindo como agem. Não porque suas vítimas merecessem tratamento melhor, mas sim porque acabam enfraquecendo e engessando os fins a que servem, deixando espaço livre para ideologias piores. Assim como o tenentismo brasileiro auto-destruiu-se e hoje faz muita falta.

Segunda-feira, Março 17, 2008

Felix e a "oma"


Nasceu hoje o Felix, às 11 da manhã, e feliz ou infelizmente se parece com o pai :)

Na foto, sendo segurado pela "Oma".

Sexta-feira, Março 14, 2008

Ecological footprint reloaded

IF EVERYONE LIVED LIKE YOU, WE WOULD NEED 5.2 PLANETS.

Vou dar a minha contribuição ao futuro do planeta adotando a política do filho único.