Por que gosto do Google e do Skype
O Google sempre suscita opiniões fortes, sejam favoráveis ou desfavoráveis. Pessoalmente, sou muito fã do Google, e as principais razões dessa admiração não são óbvias.
1) O Google tem provado que inúmeros serviços já existentes podem ser mais bem-feitos, mais bem implementados, ou mais bem pensados em termos de usabilidade. Nem o GMail, nem o Google Talk, nem o Google Maps, nem a grande maioria dos serviços Google são inéditos, mas por algum motivo eles conseguiram abocanhar boa parte da audiência em cada classe (e-mail, IM, mapas).
2) O Google tem feito isso usando protocolos e tecnologias abertas. O Google oferece o cliente Google Talk mas funciona com qualquer cliente XMPP -- e liberou a libjingle como software livre. O GMail só tem cliente binário para dispositivos móveis; o resto do mundo usa a versão Web ou mesmo o acesso via POP3/IMAP no cliente de e-mail de sua preferência. E assim por diante. Isso prova que não é necessário ser retentivo a respeito de padrões para se dominar um mercado.
E é mais um tapa na cabeça dos que vendem software mal-feito, lento, e ainda têm a veleidade de alegar problemas de performance performance para implementar protocolos fechados. (O IMAP costuma ser a vítima preferencial desse tipo de alegação.)
3) O Google não tem preconceitos a respeito de tecnologia, e procura usar o melhor que existe para cada problema específico. Às vezes nem mesmo usa o melhor, apenas procura fugir da "falácia da reescrita" -- caso do Orkut que é feito em ASP.NET. Muitos produtos do Google foram obtidos via compra de empresas menores, o que revela ausência da síndrome NIH.
Nem sempre o Google faz opções populares ou puras. Às vezes, nem mesmo um protocolo aberto é a resposta (o Skype -- que não pertence ao Google -- é o exemplo perfeito). Uma mistura interessante de tecnologias está vindo aí com o Android -- uma pilha Linux mais Java para dispositivos móveis.
4) O Google já aprendeu que a tendência dos serviços de informática é o ASP - Application Service Provider. Ou seja, quase tudo concentrado no lado servidor, e máxima flexibilidade do lado cliente. Isso novamente desemboca em usar protocolos abertos e/ou muita Web 2.0.
Por outro lado, muita gente por aí ainda não aprendeu isso...
5) O sucesso do Google não é excludente. O Google não tenta (não de forma ativa, pelo menos) sabotar esforços de concorrentes. Ao contrário: mais e mais negócios lucrativos estão sendo construídas em cima do que o Google oferece. Qual é a imobiliária que não usa Google Earth hoje em dia? Nem por isso é razoável supor que haverá um Google Worldwide Real Estate :)
6) E o mais importante de tudo, o Google prova que muito ainda está por ser desenvolvido no mundo da informática. Seja em coisas inéditas, seja em melhorar algo que já existe. E que muitos avanços nem mesmo são complicados ou custosos.
Infelizmente, muita gente na nossa profissão acredita que nada de novo resta ser criado. Eu tenho ouvido isto de inúmeros colegas, desde que comecei a trabalhar com informática, e lá se vão 20 anos, e o fluxo de novidades nunca decepciona.
Inspirado por tal constatação, tive o prazer de desenvolver a calculadora HP-12C em Javascript. É algo pequeno, simples, que só me deu prazer, mas por incrível que pareça é inédita.
Gostar do Skype é mais difícil. O Skype parece fazer tudo ao contrário do Google; o exemplo mais gritante dessa diferença é o protocolo de VoIP fechado, implementado por binários fechados.
O Skype só tem uma coisa boa: ele funciona, e as alternativas abertas não. Eu adoraria que não fosse o caso, mas é. Resumidamente, as razões são:
* Apesar de ser o principal protocolo aberto para VoIP, SIP é totalmente inadequado para o "VoIP casual" que o Skype faz tão bem. O Google Talk chega mais perto, com suas extensões ao XMPP;
* O gateway para telefonia convencional (SkypeIn/SkypeOut) está à mão e é fácil de usar, enquanto um gateway SIP exigiria contratar o serviço, configurar o servidor proxy etc.
Ironicamente, o único serviço que enxergo como possível concorrente sério ao Skype no futuro, é o Google Talk, desde que lhe seja adicionado um gateway PSTN.
1) O Google tem provado que inúmeros serviços já existentes podem ser mais bem-feitos, mais bem implementados, ou mais bem pensados em termos de usabilidade. Nem o GMail, nem o Google Talk, nem o Google Maps, nem a grande maioria dos serviços Google são inéditos, mas por algum motivo eles conseguiram abocanhar boa parte da audiência em cada classe (e-mail, IM, mapas).
2) O Google tem feito isso usando protocolos e tecnologias abertas. O Google oferece o cliente Google Talk mas funciona com qualquer cliente XMPP -- e liberou a libjingle como software livre. O GMail só tem cliente binário para dispositivos móveis; o resto do mundo usa a versão Web ou mesmo o acesso via POP3/IMAP no cliente de e-mail de sua preferência. E assim por diante. Isso prova que não é necessário ser retentivo a respeito de padrões para se dominar um mercado.
E é mais um tapa na cabeça dos que vendem software mal-feito, lento, e ainda têm a veleidade de alegar problemas de performance performance para implementar protocolos fechados. (O IMAP costuma ser a vítima preferencial desse tipo de alegação.)
3) O Google não tem preconceitos a respeito de tecnologia, e procura usar o melhor que existe para cada problema específico. Às vezes nem mesmo usa o melhor, apenas procura fugir da "falácia da reescrita" -- caso do Orkut que é feito em ASP.NET. Muitos produtos do Google foram obtidos via compra de empresas menores, o que revela ausência da síndrome NIH.
Nem sempre o Google faz opções populares ou puras. Às vezes, nem mesmo um protocolo aberto é a resposta (o Skype -- que não pertence ao Google -- é o exemplo perfeito). Uma mistura interessante de tecnologias está vindo aí com o Android -- uma pilha Linux mais Java para dispositivos móveis.
4) O Google já aprendeu que a tendência dos serviços de informática é o ASP - Application Service Provider. Ou seja, quase tudo concentrado no lado servidor, e máxima flexibilidade do lado cliente. Isso novamente desemboca em usar protocolos abertos e/ou muita Web 2.0.
Por outro lado, muita gente por aí ainda não aprendeu isso...
5) O sucesso do Google não é excludente. O Google não tenta (não de forma ativa, pelo menos) sabotar esforços de concorrentes. Ao contrário: mais e mais negócios lucrativos estão sendo construídas em cima do que o Google oferece. Qual é a imobiliária que não usa Google Earth hoje em dia? Nem por isso é razoável supor que haverá um Google Worldwide Real Estate :)
6) E o mais importante de tudo, o Google prova que muito ainda está por ser desenvolvido no mundo da informática. Seja em coisas inéditas, seja em melhorar algo que já existe. E que muitos avanços nem mesmo são complicados ou custosos.
Infelizmente, muita gente na nossa profissão acredita que nada de novo resta ser criado. Eu tenho ouvido isto de inúmeros colegas, desde que comecei a trabalhar com informática, e lá se vão 20 anos, e o fluxo de novidades nunca decepciona.
Inspirado por tal constatação, tive o prazer de desenvolver a calculadora HP-12C em Javascript. É algo pequeno, simples, que só me deu prazer, mas por incrível que pareça é inédita.
Gostar do Skype é mais difícil. O Skype parece fazer tudo ao contrário do Google; o exemplo mais gritante dessa diferença é o protocolo de VoIP fechado, implementado por binários fechados.
O Skype só tem uma coisa boa: ele funciona, e as alternativas abertas não. Eu adoraria que não fosse o caso, mas é. Resumidamente, as razões são:
* Apesar de ser o principal protocolo aberto para VoIP, SIP é totalmente inadequado para o "VoIP casual" que o Skype faz tão bem. O Google Talk chega mais perto, com suas extensões ao XMPP;
* O gateway para telefonia convencional (SkypeIn/SkypeOut) está à mão e é fácil de usar, enquanto um gateway SIP exigiria contratar o serviço, configurar o servidor proxy etc.
Ironicamente, o único serviço que enxergo como possível concorrente sério ao Skype no futuro, é o Google Talk, desde que lhe seja adicionado um gateway PSTN.


