Bode expiatório para a inflação
Um outro aspecto nefasto da alta de preços dos alimentos e do petróleo, é que isto está servindo de desculpa para pressões inflacionárias que na verdade têm outra origem.
Quando o Lula falou que a inflação causada pela alta dos alientos é uma "inflação boa", ele tentou estabelecer a diferença entre inflação de custos e inflação por expansão da base monetária. O presidente quis dizer que a inflação brasileira é, neste momento, uma inflação de custos, que não é "boa", mas também não é má.
Os preços das coisas no mercado não guardam relação linear com os custos, mas guardam uma certa correlação. Por exemplo, se os carros novos dobram de preço, os carros usados não vão dobrar imediatamente, mas é certo que tendem a valorizar-se. Graças a isso, vendi meu automóvel em 2007 praticamente pelo mesmo preço que paguei em 1999! É claro que gastei mais um tanto num reles 1.0 novo :(
A inflação de custos não é tão preocupante pois "tudo que sobe, desce". O problema é a inflação por inchaço da base monetária -- ou seja, quando o governo imprime dinheiro para pagar suas despesas correntes. O governo brasileiro não faz mais isso. A essência do Plano Real foi essa: emprestar dinheiro ao invés de imprimí-lo, o que inchou incrivelmente a dívida interna. Infelizmente, FHC foi leniente nas reformas que diminuiriam a despesa do governo.
Agora, o governo argentino cai noutra categoria. A inflação real por lá está em 30% ao ano, mas o governo maquia os índices. A última trapalhada foi limitar as exportações de alimentos, na tentativa de baixar a inflação.
Não é crível que uma inflação de 30% ao ano seja apenas uma inflação de custo. Certamente a Argentina está emitindo dinheiro adoidadamente e agora quer espetar a conta nos produtores rurais, sempre com aquela mesma conversa mole de que são "especuladores", "impatriotas", aquelas mesmas pataquadas que ouvíamos por aqui no desabastecimento causado pelo Plano Cruzado.
Estendendo o raciocínio a outros países, eu aposto que muitos países europeus estão com o mesmo problema, e agora acharam o bode expiatório perfeito: os biocombustíveis. Ou seja, o Brasil.
Quando o Lula falou que a inflação causada pela alta dos alientos é uma "inflação boa", ele tentou estabelecer a diferença entre inflação de custos e inflação por expansão da base monetária. O presidente quis dizer que a inflação brasileira é, neste momento, uma inflação de custos, que não é "boa", mas também não é má.
Os preços das coisas no mercado não guardam relação linear com os custos, mas guardam uma certa correlação. Por exemplo, se os carros novos dobram de preço, os carros usados não vão dobrar imediatamente, mas é certo que tendem a valorizar-se. Graças a isso, vendi meu automóvel em 2007 praticamente pelo mesmo preço que paguei em 1999! É claro que gastei mais um tanto num reles 1.0 novo :(
A inflação de custos não é tão preocupante pois "tudo que sobe, desce". O problema é a inflação por inchaço da base monetária -- ou seja, quando o governo imprime dinheiro para pagar suas despesas correntes. O governo brasileiro não faz mais isso. A essência do Plano Real foi essa: emprestar dinheiro ao invés de imprimí-lo, o que inchou incrivelmente a dívida interna. Infelizmente, FHC foi leniente nas reformas que diminuiriam a despesa do governo.
Agora, o governo argentino cai noutra categoria. A inflação real por lá está em 30% ao ano, mas o governo maquia os índices. A última trapalhada foi limitar as exportações de alimentos, na tentativa de baixar a inflação.
Não é crível que uma inflação de 30% ao ano seja apenas uma inflação de custo. Certamente a Argentina está emitindo dinheiro adoidadamente e agora quer espetar a conta nos produtores rurais, sempre com aquela mesma conversa mole de que são "especuladores", "impatriotas", aquelas mesmas pataquadas que ouvíamos por aqui no desabastecimento causado pelo Plano Cruzado.
Estendendo o raciocínio a outros países, eu aposto que muitos países europeus estão com o mesmo problema, e agora acharam o bode expiatório perfeito: os biocombustíveis. Ou seja, o Brasil.

