Rightwinger

Blog pessoal EPx

Segunda-feira, Maio 26, 2008

Nunca serão!

Esses dias eu estava falando com um amigo sobre a validade de escrever em blogs, das vantagens e desvantagens, se é um tempo bem gasto etc.

De minha parte, posso dizer que escrevo nos meus blogs (que agora já são quatro, embora um deles, o Febeapá, esteja ainda "virgem") como uma maneira de fazer "braindumping", ou seja, pegar uma idéia que fica zanzando dentro da cabeça e colocar no "papel", porque assim ela pára de me incomodar. Gosto de escreve, e colocar algo por escrito disciplina e conforta a mente, organiza as idéias.

Eu costumo fazer isso há muitos e muitos anos, desde antes de possuir computador. Mas naturalmente a maioria dos meus escritos permaneceu incógnitos, e na verdade quase todos perderam-se. Comecei a guardar o que escrevia mais ou menos de 1999 para cá, quando tinha meu site e precisava gerar conteúdo. Desde então, juntei uma coleção razoável de artigos.

Então apareceu o tal do blog. Escrever um artigo demanda um "threshold" de ânimo bastante alto, e assim demora muito para a inspiração aparecer, entre um artigo e outro. Já o blog, por conta do formato, encoraja a escrever a toda hora, e escrever coisas mais curtas, que mais tarde podem evoluir para artigos.

Um problema colateral do blog é a publicidade. Você está expondo sua opinião para o mundo, e mesmo que arrependa-se e apague os posts ou mesmo o blog, existem serviços na Internet que registram para sempre o que você escreveu. Pode não ser algo muito aconselhável, dependendo da sua profissão. Por exemplo, se você for um advogado, e afirmar X no blog, e depois defender não-X no tribunal, certamente o advogado da outra parte vai tentar usar isso contra você, ainda que ninguém advogue senão por dinheiro.

Pessoalmente, como não sou advogado, acho que vale o risco. O blog fornece feedback quase instantâneo do que foi escrito, e isso dá uma boa pista de quando você escreveu algo relevante ou interessante. E pode crer, as pessoas respondem.

Naturalmente, nem sempre sai algo interessante deste processo. Eu sou o primeiro a admitir que a grande maioria dos meus posts são de pouco interesse para terceiros. Já ouvi algumas críticas a esse respeito. Mas definitivamente não tenho obrigação de sair com uma pérola literária a cada post, até porque os leitores não pagam nada por isso.

Como eu disse, meu objetivo primário em escrever no blog (incluindo este post aqui!) é fazer "brain dumping". Eu escrevo para *me* sentir melhor. Se, ao final deste processo, alguns posts saíram bons o suficiente para merecer consideração de terceiros, é uma feliz coincidência.

É como o curso do BOPE: qualquer um pode entrar... mas de cada cem inscritos, em média apenas cinco passam no curso. "E na minha turma, parceiro, foram três." Para os alunos recém-chegados, o aviso: NUNCA SERÃO! Partindo de expectativas baixas, evitam-se decepções.

É por isso que, de tempos em tempos, costumo eliminar os posts que não são particularmente bons. Já tendo cumprido a função de braindump, e não sendo mais úteis para ninguém, não precisam ficar lá como testemunhas de momentos de pouca inspiração.

Lembro de um post em particular onde relatei um sonho extremamente vívido que tive. Escrevi detalhadamente o que tinha sonhado, depois reciclei o texto e postei no blog. Pensei que podia construir uma história a partir daquele fragmento. Mas definitivamente não sou Agatha Christie, e nada mais saiu daquilo. Até tentei delinear uma história em volta do sonho, mas esse negócio de achar construções abandonadas e perfeitamente funcionais no meio do mato começou a soar como LOST, e quem me conhece sabe que odeio este seriado. Sinal claro para mandar tudo ao lixo.

Talvez por isso eu nem sequer procure arrumar erros ortográficos e de digitação dos posts que já se foram. É perda de tempo, e sempre posso voltar a eles se eles sobreviverem à "limpeza".

Tenho opinião inconcludente sobre os agregadores de blogs (os "planets"). Por um lado, eles são interessantes pois dão audiência muito grande ao seu blog. Por exemplo, a grande maioria dos comentários que recebo neste blog são oriundos de leitores do agregador Valeta.

Por outro lado, os agregadores viciam um pouco os blogueiros agregados, pois eles tendem a escrever para aquela determinada audiência, e até mandar recados indiretos ou inserir "ovos de Páscoa" no texto voltados especificamente aos leitores daquele agregador. Isto também acontece comigo em relação ao Valeta.

Um outro problema do agregador é que você pode destoar do conjunto, e isso é ruim se o agregador inclui blogueiros muito mais inspirados que você. Pior ainda se esses outros blogueiros são seus colegas de trabalho, clientes ou fornecedores. Aí você fica se policiando sobre o que e quando escrever no blog -- desvirtuando completamente a idéia do blog, que é a liberdade de expressão ao extremo.

Foi exatamente isto que me levou a ter originalmente dois blogs, e depois três. O primeiro blog foi parar rapidamente em algum agregador do Maemo, onde a maioria dos leitores só entende inglês e posta tecnicalidades. Imediatamente, posts pessoais e em português ficaram "estranhos" lá. Para fugir disto, criei este blog aqui, e depois criamos (eu e mais alguns colegas) o #d00dz Finance, em parte pela crença que posts sobre finanças não seriam bem recebidos no Valeta...

Finalmente, se todo mundo lê você através de um agregador ao invés de no seu site, você não ganha AdSense.

Enfim, é o que eu tinha a dizer.

Paternidade e seleção adversa

Participar de processos históricos de mudança é em geral divertido, mas para muita gente deve estar sendo um inferno. Em particular, a transição do modelo "antigo" de família ("pai soturno, mãe submissa, filhos aterrorizados") para o modelo "novo" parece estar sendo traumático, socialmente falando.

Como eu já mencionei em outros posts, e todo mundo na verdade já sabe, há muitas famílias monoparentais por aí, em geral apenas com a mãe. Isto ocorre em todas as classes sociais, porém é mais aparente na classe pobre pois a carência de recursos torna ainda mais grave a ausência do pai. Além disso, a figura masculina costuma ser mais fragilizada nas classes menos favorecidas, seja por desemprego, alcoolismo, violência etc.

E quando a água bate na bunda, as soluções, mesmo que toscas, aparecem. A solução da classe pobre é a "monogamia seriada". Já vi até algumas teses de doutorado tratando do tema. A idéia é a mulher ter sempre um marido, porém ele não dura muito tempo. Aí arruma-se o próximo, pois as contas precisam ser pagas. O resultado é o que se vê em programas tipo "Casos de Família": a mulher tem 5 filhos, cada um ou dois de um relacionamento diferente.

Este mecanismo provoca uma mudança na moral masculina: cada marido sustenta e cria os filhos da mulher como seus, algo que é contrário inclusive ao instinto masculino (felinos e primatas matam filhotes da fêmea para ela entrar no cio novamente, quando não são "seus"). Não deixa de ser algo bonito e construtivo, admiro quem consegue ser um padrasto. Para mim, isto nunca serviria. É uma espécie de retorno parcial ao modo de vida tribal, onde as gravidezes eram consideradas presentes divinos, e todo mundo criava os filhos de todo mundo.

Uma mulher pobre não pratica monogamia seriada porque quer, mas sim porque precisa. Como de costume, a camada mais pobre da população é mais conservadora que a média, e tenta manter a estrutura "burguesa" (tradicional) da família, procurando preencher a figura masculina de qualquer maneira.

Nas classes mais favorecidas, esses assuntos são resolvidos de outra forma; em geral a mulher pode sustentar seus filhos sozinha, e não arruma outro marido (pelo menos, não com o propósito explícito de ajudar a sustentar a prole).

Este mecanismo de monogamia seriada só tem um pequeno grande problema: SELEÇÃO ADVERSA. Seleção adversa é quando um mecanismo qualquer beneficia espécimes ruins em detrimento dos bons. O resultado é óbvio: extinção dos espécimes bons.

A monogamia seriada faz seleção adversa em cima do sexo masculino, porque paga um prêmio aos homens irresponsáveis (é raríssimo um pai pagar pensão aos filhos na classe baixa), e joga o fardo sobre os que tentam formar família.

Como se não bastasse o fardo que é sustentar filhos dos outros, existe um desestímulo adicional. Como as mulheres presumem que os seus homens vão "espanar" dia menos dia, procuram "espremê-lo" tanto quanto possível, em benefício dos seus filhos e da sua família, enquanto há tempo. E isto não é uma possibilidade teórica, é algo que aparece quase todo dia. Num cenário destes, até o homem mais bem-intencionado do mundo joga a toalha. É uma profecia que cumpre a si mesma.

A lógica da mulher, em particular a que depende do marido, ou coloca-se numa situação de dependência do marido (por almejar uma família tradicionalzona) é que o marido tem de ser posto a trabalhar, até ele fugir ou morrer de "karoshi", pois assim ao menos não tem tempo livre para aprontar.

Como homem, é óbvio que tal perspectiva me deixa indignado, mas não dá pra dizer que é algo "maldoso"; é mais um resultado do estado de coisas. Porém a seleção adversa vai cobrar o seu preço, e o resultado final é, globalmente, cada vez pior para os inocentes filhos.

Na verdade, esse padrão de "espremer o marido para não sobrar para a outra" contamina bem mais as classes sociais mais favorecidas do que a monogamia seriada. As mulheres estão desconfiadas dos homens, e tentam atirar primeiro, e acabam fazendo seleção adversa. Costumo brincar com minha esposa que existem 3 tipos de mulheres:

* as que acham que o marido vai gastar todo o dinheiro com putas;

* as que acham que o marido vai gastar todo o dinheiro com automóvel;

* as que arrumam maridos ruins de propósito, para eles não terem dinheiro para gastar com putas ou automóvel.

Minha mãe é do tipo 2; nunca teve medo do meu pai "pular a cerca", mas sempre teve medo que ele gastasse com bobagens. Minha esposa é do tipo 1, provavelmente devido a trauma de infância (meu sogro perdeu quase tudo que tinha por causa de "amantes").

Foi dureza convencer minha esposa a economizar dinheiro hoje para termos um futuro financeiro confortável. O conceito não "entrava" na cabeça dela, e eu não entendia por quê. Para mim era algo óbvio. Mas um belo dia juntei A + B, e descobri o motivo.

Na cabeça dela, guardar dinheiro significava privar ela e nosso filho de alguns prazeres, em favor de uma prostituta qualquer no futuro. O trauma, o medo e a certeza de ser passada para trás no futuro é tão grande, que outras possibilidades que aconselhariam economizar (como eu ficar sem emprego ou doente no futuro, ou o Felix querer ir para uma faculdade cara) não são nem sequer consideradas.

É claro que um erro não conserta o outro, e esse tipo de pensamento praticamente quita qualquer chance de atingir-se a independência financeira. Para mim, falhar não é uma opção, e optei pelo enfrentamento. E consegui convencer a Ana do meu ponto de vista. Afinal, se eu realmente fosse adepto de gastar com automóveis e putas, teria feito isso melhor ainda enquanto solteiro, e não teria nem um centavo hoje, o que não é o caso.

Aí esses dias, ela disse enquanto viajávamos:

[ana] Homem é tudo safado e torra tudo em bobagens enquanto não forma família.

[epx] Eu conseguia economizar mais antes de ter família...

[ana] Mas você é anormal :)

Ou seja, na cabeça de uma mulher, o único jeito de um homem não caber naqueles estereótipos mencionados antes (gastar com puta, gastar com carro), é classificá-lo numa espécie à parte...

Software livre para

A primeira colaboração que recebo em muitos anos, para os softwares livres que publico, foi justamente para o simulador de HP-12C. Aliás, desde que publiquei as duas calculadoras (financeira e de opções), o AdSense do meu site deu um salto.

Nada como escrever software de que as pessoas realmente precisam.

Sábado, Maio 24, 2008

Do tempo que Gradiente fazia coisa boa



A gente descobre que está ficando velho quando já tem lembranças suficientes para dizer "isso aconteceu NO TEMPO QUE tal coisa existia".

No meu caso, um bom exemplo é a finada Gradiente, sobre quem já falei mal neste blog, em referência a um home theater que eu tenho, e que após duas remessas para conserto na garantia, só se ajeitou quando eu mesmo abri (inicialmente para extrair componentes eletrônicos. Deve ter voltado a funcionar por não querer virar "doador de órgãos").

Mas eu tenho um aparelho Gradiente do tempo em que eles fabricavam coisas boas. É o CS-5 da foto, adquirido em 1990. É um mini-system anterior à disseminação dos CDs, com excelente qualidade de som, e diversas características únicas para a época:

* o rádio também pega os canais de TV;
* entrada para 12V;
* saída de 12V para alimentar aparelhos auxiliares;
* também funciona com pilhas D (embora uma carga de 8 pilhas D custe o equivalente a um carro usado, nunca coloquei pilhas nesse meu aparelho);
* entrada auxiliar e de toca-discos;
* mixer para microfone com controle de volume;

Os recursos do aparelho não fazem muito sentido hoje em dia, mas ele ainda é útil porque tem excelente qualidade de som. As próprias caixas acústicas costumam ser usadas em surround de home theater. No mínimo, o aparelho serve como som para o computador, e tenho usado este meu aparelho ligado no iPod para fazer um "barulho" no quintal. Fato é que, com o iPod, mini-systems joiados cheios de recursos perderam o sentido, na minha opinião.

Mas, voltando ao assunto inicial, deu pena ver a decadência e extinção da Gradiente. A concorrência dos importados (incluindo paraguaios) deve ter sido a causa principal.
A classe média 0,85 que curte comprar até papel higiênico do Paraguai mandou ver nos Aiwas e Cobys e Roadstars, desprezando o produto nacional (nunca vi um aparelho Aiwa realmente bom, por mais caro que fosse). Mas a Gradiente cometeu o erro de tentar concorrer no "low end" ao invés de tentar ficar no mercado "caro porém high-end" que era seu filão anterior.

Irônico é ver a CCE (cuja sigla era zoada como "Começou Comprando Errado" nos bons tempos) sobrevivendo como marca, e vende até computador hoje em dia. A CCE fez certo: uniu-se ao inimigo, importou coisas da China, estampou o nome em cima e sobreviveu.

Picadinhas sobre paternidade

LOJAS PEGA-PAPAI-NOVO

As boas lojas com artigos para bebês são verdadeiras armadilhas para pais e mães. Se for da classe média 1.0, daquela que acha chique o filho ter asma, tanto pior. Mas devo reconhecer que tais lojas dão aula de marketing e vendas.

Antes do Felix nascer, minha esposa foi com a sogra (que por acaso é minha mãe) comprar algumas coisas de enxoval, e reclamei na volta porque achei que ela tinha gasto muito dinheiro. Aí sentimos falta de mais algumas coisas enquanto a Ana ainda estava na maternidade, e lá fui eu na tal loja. Foi um estrago...

Primeiro que você entra na loja e a vendedora, geralmente uma digna senhora, abre aquele sorrisão. Aí vêm mais duas vendedoras, todas uniformizadas, por trás de você, e aí você descobre que está encurralado. Aí já perguntam o nome do seu filho, quantos meses, como ele é, aquela coisa de vendedor de estabelecer relação com o cliente.

Ok, comprei o que precisava, o preço estava bom. Aí elas começam a dizer "ah, mas pra usar X precisa também Y, você tem Y?" Eu naturalmente não sabia, presumi que não. E assim ela sugeriu comprar coisa Z, W, A, B, C e gastei três vezes mais na loja do que o item X que originalmente planejava comprar. A Ana achou muita graça e sentiu-se vingada com o episódio.

Pois é, e já fui nessa loja mais duas vezes. Talvez pudesse encontrar roupas bem mais baratas numa loja de departamentos, só que é realmente agradável ir num lugar e ser incrivelmente bem atendido, e encontrar tudo que quer.

Nada é pior que ir comprar alguma coisa, e topar com aquele vendedor com cara de meu-boi-morreu, parece que o vendedor está com raiva de você por poder comprar algo e ele não.

LIVRO "QUEM AMA, EDUCA"

A diácona da minha igreja emprestou-nos o famoso livro "Quem ama, educa". É chato ser um leitor ávido, a gente fica muito exigente quanto a novos conteúdos, de modo que fiquei meio decepcionado com o tal livro.

De maneira geral, as orientações são boas, é o "grito de independência" dos pais escravizados pelos filhos. Mas essa coisa dos pais imporem limites aos filhos foi novidade nos anos 90; hoje em dia é algo que todo mundo já sabe, de modo que o livro parece chover no molhado, e ser muito repetitivo nas afirmações e argumentos. Talvez nos anos 90 foi algo revolucionário e seminal. Sei lá.

Uma linha de raciocínio do livro que me desagradou em particular foi o mantra "mães são coitadas e pais são safados e folgados". Talvez pelo fato do livro ter sido escrito por uma mulher. A autora critica o fato dos pais não saberem lidar tão bem com bebês como as mães, atribuindo isto a fatores culturais, esquecendo ou omitindo que todos os machos das demais espécies do reino animal padecem do mesmo "defeito".

A autora chega a dizer que pais que trazem dinheiro para casa mas não sabem cuidar do filho, são como mãos com um dedo só. Ok... Os 33% de nascituros registrados sem pai no Brasil (e provavelmente mais uma boa parte dos demais, cujo pai foi embora depois) devem considerar que é melhor ter uma mão com um dedo do que ser maneta.

Domingo, Maio 18, 2008

Febeapá ganha seu próprio blog

Levei a cabo aquilo que tinha pensado em fazer no post passado: criei um novo blog (epx.com.br/febeapa), o Febeapá IV, especialmente devotado às besteiras e idiotices do Brasil. Espero assim melhorar a qualidade média dos posts, sem deixar de ter uma praia de despejo onde descarrego minha indignação diuturna.

O endereço do novo blog é http://www.epx.com.br/febeapa.

Do blog pessoal, vou apagar os posts que em tese encaixam-se no perfil Febeapá. Não vou me dar ao trabalho de repostá-los no novo blog porque tenho absoluta convicção de que o governo continuará trabalhando duro e fornecendo material abundante para novos posts, de modo que não vale a pena reciclar os antigos.

Sexta-feira, Maio 16, 2008

Virgem Maria

Como evangélico, naturalmente não compartilho da crença na Virgem Maria como "advogada entre Deus e os homens". Mas considero a crença simpática, para quem a segue (como também acho simpática a filosofia e a ênfase na caridade do kardecismo). Foi ela quem inspirou um dos mais belos versos da música sertaneja:

Sou caipira pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Que ilumina a mina escura
e funda o trem da minha vida


A cena mais forte e mais bela do filme "Poderoso Chefão" também envolve Maria, quando Freddo Corleone reza a Ave Maria porque isto atrairia peixes, e é assassinado a mando do seu irmão.

Por ser uma oração que existe em quase todo idioma, é interessante comparar versões entre diferentes idiomas, para ver qual deles expressa mais informação com menos letras. Vejamos:

Ave Maria,cheia de graça,
o Senhor é convosco,
bendita sois Vós entre as mulheres,
bendito é o fruto em Vosso ventre, Jesus.

Santa Maria Mãe de Deus,
rogai por nós os pecadores,
agora e na hora da nossa morte. Amém.

Hail Mary,Full of Grace,
The Lord is with thee.
Blessed art thou among women,
and blessed is the fruit of thy womb, Jesus.

Holy Mary, Mother of God,
pray for us sinners now,
and at the hour of death. Amen.

Ave Maria, gratia plena;
Dominus tecum
benedicta tu in mulieribus
et benedictus fructus ventris tui Iesus.

Sancta Maria, Mater Dei
ora pro nobis peccatoribus,
nunc et in hora mortis nostrae. Amen.

A versão em português é a mais extensa, tanto em letras como em sílabas. A versão em inglês é mais curta em sílabas (ou seja, é mais curta ao ser falada). A versão em latim é mais curta nos dois quesitos, confirmando a capacidade de sintetização do latim.

Mesmo não acreditando nela, Maria trouxe-me uma coisa boa. Naturalmente, eu sei a oração Ave Maria de cabeça -- boa parte da família é católica e os sucessivos enterros repetiram bastante o rosário, até eu decorar.

Eu nunca conseguia decorar as expressões latinas, usadas em Direito: "ex tunc" (desde antes, com efeito retroativo) e "ex nunc" (desde agora, sem efeito retroativo). Alguns associam "nunc" com "nunca" mas para mim isto causava ainda mais confusão.

Mas note o último verso da Ave Maria:

AGORA e na hora da nossa morte. Amém.
NUNC et in hora mortis nostrae. Amen.

Problema resolvido. Sabendo as duas versões da oração, sei que nunc=agora, e portanto tunc tem de ser "antes". Cada vez que eu preciso distinguir "ex tunc" de "ex nunc", preciso desenvolver esse raciocínio (não consegui memorizar de outra forma).

Terça-feira, Maio 13, 2008

Felix com a Oma de novo!

E tomando mamadeira sozinho (por alguns segundos, pelo menos)

Terça-feira, Maio 06, 2008

God's debris: cristianismo quântico

Acabo de passar os olhos no livro God's Debris, do Scott Adams (sim, o mesmo cara que faz as tirinhas do Dilbert). Segundo o próprio autor, o livro é uma coletânea de idéias pessoais embutida numa historinha. O livro está disponível para download em PDF, legalmente. Já começa interessante por aí...

A idéia central do livro é que Deus existiu, mas auto-destruiu-se no processo de criação do Universo. Assim, Deus não existe, mas o Universo é composto por fragmentos d'Ele (daí o título do livro). Seu único legado é a lei da probabilidade, que permeia tudo e todos, a começar pela mecânica quântica que mantém tudo coeso.

Esta probabilidade "divina" seria levemente tendenciosa, o que explicaria a tendência do Universo evoluir, incluindo aí a origem da vida, do homem, da Internet e assim por diante. Deus "morreu", mas está remontando-se a si mesmo, e nós somos parte deste processo.

Em primeiro lugar, impressionou-me a criatividade do autor. Numa penada, pode-se afirmar que Scott Adams criou uma religião "nova". Num segundo momento, também é impressionante a correspondência entre diversos pontos da hipótese dele com alguns axiomas do cristianismo. (Por axiomas, entendam os princípios universais, eternamente válidos, encontráveis também em outras religiões. Não estou falando de dogmas. Naturalmente, quando a Bíblia versa sobre cor de roupa ou número de esposas, está falando para um público de 2000 anos atrás. Sou evangélico mas não sou estúpido.)

Ainda mais surpreendente foi ver uma tese minha, particular, que eu nunca contei a ninguém, lá no texto, na página 103. De que a consciência é de certa maneira indestrutível, pelo simples fato de haver uma chance, infinitesimal, de uma máquina ou um cérebro ser criado no futuro, e que reproduza exatamente a consciência de uma pessoa no seu estado presente. E, como uma vez mortos não vemos o tempo passar, podemos esperar um tempo infinitamente longo. Assim, a chance infinitesimal tende a 1.

Em resumo, recomendo muito a leitura deste romance.

http://nowscape.com/godsdebris.pdf