Rightwinger

Blog pessoal EPx

Quinta-feira, Outubro 30, 2008

O lado A da esposa do nerd

Depois do meu post sobre as esposas de nerds, muita gente deve ter pensado (e inclusive comentado): por que esse sujeito casou e continua casado? Então acho que isto merece também uma reflexão escrita, novamente baseada na minha experiência pessoal e no que observo em amigos próximos, sem tentar seguir a mesma ordem de itens do post anterior.

Em primeiro lugar, a questão do dinheiro, responsável por 99% das brigas de casal.

Embora a maioria das mulheres não saiba lidar bem com o dinheiro, é forçoso admitir que a maioria dos homens também não sabe, incluíndo aí os homens nerds. É um problema do homo sapiens, não do sexo feminino. A diferença, que faz as mulheres aparecerem mais freqüentemente com o estereótipo, é gostar de passear no shopping e comprar muitas coisas de valor individual pequeno.

Ontem mesmo tive um exemplo disso, surgido de uma conversa na espera do oftalmologista. Um cara solteiro estava conversando conosco e disse que nunca iria casar, porque as mulheres gastam demais ("por exemplo, eu não tenho 14 sapatos"). Lembrei-o que homens gastam em coisas mais caras, e ele imediatamente confessou que desejava uma mountain bike de fibra de carbono de 14 mil reais -- sem precisar, porque já tinha uma mountain bike de boa qualidade... (E esse número 14 parecia ser importante na vida dele, deve ser filiado à Ku Klux Klan).

O nerd típico tem o agravante de possuir múltiplos interesses e hobbies, e de conhecer o que é bom. Assim, ele vai querer ter computador de ponta, TV de ponta, celular de ponta, bicicleta do melhor material, e por aí vai. Todos estes objetos com obsolecência rápida e certa.

Assim, o nerd típico beneficia-se de ter uma esposa, pois no mínimo ele vai passar a gastar dinheiro em objetos cuja depreciação é mais lenta (como coisas para a casa). E nunca esqueçamos dos conselhos de Peter Lynch: deve-se possuir a casa onde se mora antes de aventurar-se a investir. Mesmo o nerd metido a investidor pode beneficiar-se da esposa que zela pela casa.

Para mim, lidar com dinheiro nunca foi problema (sou pão-duro mesmo), então nesta área minha esposa come na minha mão. Mas tem outra área na qual o meu descontrole típico do nerd aparece com toda a força: na alimentação. E conheço muitos outros nerds que também não têm limites à mesa.

Infelizmente, eu tenho que admitir que não tenho auto-controle em relação a comida. É um vício. Coisas como álcool e fumo nunca conseguiram me "capturar", mas a comida conseguiu. Então, se eu ficar solteiro, é certo que vou morrer logo, não sem antes gastar bastante trocando o guarda-roupa algumas vezes, com roupas cada vez maiores.

Desta forma, este fator isoladamente é um grande motivo para casar e permanecer casado: para viver uma vida mais regrada. E é algo que tem de ser controlado o tempo todo; não adianta a Ana me falar apenas hoje que não devo comer mais, pois amanhã vou tentar de novo e ela vai ter de chamar minha atenção de novo. Para sempre.

Um outro aspecto que eu pessoalmente posso dizer que melhorei muito, foi na apreciação da estética das coisas. Embora ainda me considere fraco nesta área, certamente estou muito melhor que antes, a ponto de ter opinião sobre decoração de casa, roupas etc., coisas inimagináveis antes de 2005. É engraçado constatar que tais coisas podem sera aprendidas, até certo ponto.

Ainda no campo da estética, a aparência pessoal melhora em detalhes "imperceptíveis" quando há uma mulher cuidando de você e da sua roupa. Não admira tantos homens casados terem amantes, e tantas mulheres preferirem homens casados...

Lavagem cerebral

Um clip interessante da Aline Barros, a cantora gospel para você mostrar pro seu filho:

Tilintintin, oferta tá caindo dentro da caixinha

O MP3 dessa vai pra mesma pasta de curiosidades religiosas onde estão umas músicas da Clara Nunes:

Inhansã, cadê Ogum?
Foi pro mar

Será que vai rolar uma aniquilação mútua?

Segunda-feira, Outubro 20, 2008

Simulador de vôo

Neste fim-de-semana, durante uma visita à minha irmã, tive uma experiência completamente diferente, proporcionada pelo meu cunhado piloto de avião: brincar num simulador de vôo "de verdade", daqueles utilizados para treinar pilotos num determinado tipo de avião. No caso, este simulador era de um Boeing 737, se não me falha a memória.



A simulação é muito realista em todos os detalhes "burocráticos" de um avião (partida de APU, partida de motores, combustível, rota, balizas de navegação via rádio etc. etc.), de modo que seria impossível tirá-lo do "chão" sem o auxílio de alguém que realmente conheça o avião. Naturalmente meu cunhado fez todo o red tape e deixou-me na cabeceira da pista para sair voando. Se desejado, a simulação pode começar desde quando o tratorzinho empurra o avião para trás (pushback).

Mesmo algo simples como taxiar o avião na pista é difícil. A física do simulador é naturalmente muito boa, e a inércia do avião está sempre lá. Coisas como usar turbina ou freio de um dos lados auxiliam muito fazer curvas no chão. Ao contrário do que eu supunha, os controles são todos bastante sensíveis e devem ser usados com parcimônia. Se houvesse passageiros no meu "avião", estariam todos gritando e reclamando até agora :) Sujeitos overreactive como eu não podem ser pilotos de avião, pois quebrariam a aeronave no meio em poucos minutos.

O som do simulador também era bom, era possível distinguir turbina esquerda de direita, entre outras coisas.



Decolar foi relativamente fácil: dar potência, esperar a velocidade V1 e puxar o manche ligeiramente para subir. Uma vez no ar, os controles continuam sensíveis e é difícil manter uma rota ou uma altura. Na prática, usa-se piloto automático o tempo todo logo depois da decolagem e até perto do pouso, para obter curvas suaves e evitar a fadiga (cansa muito ficar punhetando o manche o tempo todo, e provavelmente fazer isso causaria desgaste prematuro num avião de verdade).

Mesmo pilotando manualmente, usa-se o horizonte artificial continuamente, conjugados com a programação de rota, altura e controle automático do motor. É impossível pilotar olhando janela afora, isso porque o simulador estava programado com tempo bom, sem nuvens, sol do meio-dia (eis a exceção).



Pousar foi simplesmente impossível. Quando você finalmente vê a pista, ela "já passou". Ou seja: se você não estiver perfeitamente alinhado, já não consegue mais fazer curvas e colocar-se em boa posição. Nas três vezes que tentei, sempre acabava cruzando a pista em diagonal. É certo que pilotar um 737 é bem mais complicado que um teco-teco, devido à velocidade, inércia e visibilidade.

Este simulador infelizmente não era daqueles que inclinam a cabine conforme as curvas, mas mesmo assim a simulação dos sons e das janelas já dava uma sensação incrível de movimento, a ponto de eu ter ficado completamente tonto numa tentativa de pouso, e ter saído de lá muito cansado e com dor de cabeça.

Para os nerds

O simulador tem inúmeras telas, já que os aviônicos são "glass cockpit" e mesmo os instrumentos que seriam analógicos num avião de verdade são telas pequenas neste simulador. A paisagem que se vê nas janelas é construída utilizando-se dois retroprojetores cruzados, que projetam sobre superfícies curvas.

Nas pausas do simulador, deu pra ver que o simulador rodava Windows. Aliás, houve um momento que duas telas do glass cockpit apagaram, e o simulador ficou meio lerdo na atualização dos demais aviônicos (outra dica que era realmente Windows). Fiquei imaginando quantas placas de vídeo o computador tinha para manter todas aquelas telas. Na verdade, são cinco ou seis PCs inteiros, provavelmente ligados por rede.

Quarta-feira, Outubro 15, 2008

Dicas para esposas de nerds

É certo que o homem médio é intelectualmente inferior à mulher média. Isso é observável também em animais; em particular; constatei esse padrão primeiro em gatos e depois em humanos. Porém, a variância do QI dos machos é maior, o que torna mais comum a aparição de machos muito inteligentes (o gato mais inteligente que já tive era macho) e é claro alguns muito burros também.

A variância maior entre machos causa um interessante fenômeno estatístico: se os 25% melhores homens casarem com as 25% melhores mulheres, é praticamente certo que cada marido seja mais inteligente que a esposa. E é exatamente isso que observo no meu "ecossistema", que (presumo) seja composto das pessoas do "melhor" quartil. Se considerarmos que todos os demais "ingredientes da felicidade" (dinheiro, sabedoria, moral) são correlacionados com o QI, como em geral admite-se que são, temos aí uma situação onde quase todos os bons casamentos são naturalmente assimétricos.

Se você é um nerd solteiro, considere cuidadosamente as afirmações acima antes de casar; você dificilmente conseguirá assim uma "parceira", no sentido empresarial da palavra. Do seu ponto de vista intelectualmente privilegiado, uma esposa vai parecer um híbrido de amante e filha adolescente.

Se você é um nerd casado, talvez seja hora de conformar-se com o jeito que as coisas são, dado o meu sólido argumento estatístico acima...

Se você é esposa de um bom marido (que provavelmente é um nerd) pode olhar a coisa de três formas: ou achar que eu sou um porco machista e continuar batendo sua cabeça distímica na parede, ou se achar um lixo e cortar os pulsos, ou então considerar que você realmente "ganhou na loteria" -- e, seguindo alguns conselhos muito simples, poderá desfrutar do seu marido de forma muito mais efetiva.

Aqui vão os conselhos, tentativamente em ordem decrescente de prioridade:

ADESTRE SEU MARIDO



E como é que se adestra um animal? Com carinho e incentivos positivos; repreensões e xingamentos são totalmente desaconselhados. É como aquela piadinha comum em desenho animado, do cara que monta um burro e põe à frente do animal uma cenoura amarrada num caniço. O burro só anda porque corre atrás da cenoura. Às vezes, ele precisa efetivamente comer a cenoura e descansar, porque do contrário sobrevém a frustração e a cenoura perde o efeito.

Um sábio conselho do meu atual chefe: não adianta esperar ganhar uma medalha ao fim de cada dia por ter sido um bom marido. O único motivo real para se permanecer casado é assim o querer. Ponto. Isso até é verdade num ponto de vista "macro"; casamentos que atravessam décadas são exercícios de triunfalismo. Porém, no dia-a-dia, todo mundo, seja macho ou fêmea, e o macho em particular, precisa ganhar uma medalhinha de vez em quando, assim como o Muttley da Corrida Maluca.

Muitas esposas parecem achar que o simples fato de existirem é prêmio suficiente. Ou que o sexo (monogâmico!) é prêmio. Ou que a existência dos filhos cumpre este papel. BZZZZ! ERRADO!

PARE DE RECLAMAR



Se existe uma queixa universal a respeito de esposas, é que elas reclamam o tempo todo. Infelizmente eu descobri do jeito difícil que isso é a mais pura verdade. E isto é um erro, pois reclamar é uma forma ineficaz de adestrar o marido. É como adestrar um animal batendo nele o tempo todo; ele nunca vai saber o que ele DEVE realmente fazer.

Note que aqui estou falando daquela reclamação gratuita, que refere-se a coisas óbvias, irrelevantes, sem solução, ou que o próprio reclamão deveria resolver. Exemplos: "A cor azul do céu me deprime". "Os vizinhos fazem barulho em dias de festa". Outra característica da reclamação ruim é a ocorrência dos "pares conflitantes": a mulher que reclama que o marido trabalha demais, e em seguida reclama que não pode comprar alguma coisa. As reclamações com estas características costumam ser associadas a mulheres, mas certamente existem muitos homens reclamões nesse mesmo viés.

As mulheres tentam nos vender a idéia que elas reclamam "para desabafar", enquanto homens reclamam "para resolver". Eu não compro essa idéia; pessoalmente, acredito que toda reclamona tem motivos bem específicos:

a) joga verde para colher maduro, ou seja, usa a reclamação informal como forma de tentar conseguir as coisas sem se comprometer. Se colar, colou. Se não colar, "eu só falei aquilo por falar, você leva tudo a sério". Um complemento desta estratégia feminina é a repetição: se reclamar uma casa maior for repetido um número suficiente de vezes, acaba entrando no "roadmap" como "desejo do casal". Como em geral as reclamações vêm em pares conflitantes (e.g. trabalho demais X pouco dinheiro), também é uma forma de delegar decisões sem comprometer-se com o resultado.

b) usa a reclamação como forma de manter o marido na defensiva, para sempre poder alegar que o esposo está "devendo" alguma coisa. Acho que este é mesmo o perfil mais comum da esposa reclamona. Num dia reclama que o marido não trouxe café na cama; no outro dia, reclama que o leite está frio e por aí vai. É particularmente interessante quando a reclamação envolve bens materiais, fora do alcance imediato do casal: serve para humilhar o marido e evita que ele sinta-se um macho alfa, pois nem sequer consegue satisfazer uma fêmea, muito menos duas ou mais! Os pares conflitantes também são muito úteis para colocar o marido em xeque perpétuo.

c) descarregar mau humor em cima do marido, quando a causa real do mau humor é completamente diversa. Marido não é saco de pancada.

Outra característica bem marcante da reclamação "ruim" é a repetição à exaustão, até virar pura chateação. A dica para a esposa é: reclame UMA vez de cada coisa. Você verá que o estoque de reclamações vai esvaziar em poucas horas.

Outra dica preciosa é "delegar" as chateações normais da vida doméstica para um livro ou agenda. Se queimou a lâmpada da varanda, reclame ZERO vezes, ou no máximo UMA vez, e anote no livro. Mais tarde, seu marido lerá o livro e tomará as providências necessárias. O mesmo para compras no supermercado: não reclame que acabou a banana na terça-feira se a compra só vai ser feita no sábado. Apenas anote.

SEJA EXPLÍCITA



As esposas em geral acreditam que os maridos têm bola de cristal, e não a usam por pura maldade. Maridos nunca dão bons adivinhos, e maridos nerds em particular são ainda piores nesse mister (em particular quando sofrem da Síndrome de Asperger). Assim como animais precisam de instruções claras, também os maridos precisam. Já que as mulheres gostam tanto de falar e reclamar, aproveitem para ser explícitas quando devido!

Se eu ganhasse um dólar por cada vez que minha esposa fechou a cara sem explicitar o motivo senão muitas horas depois, eu estaria rico (em particular depois que o dólar deu essa subida aí). Por outro lado, eu não tenho o mesmo direito; se eu demonstrar o mais leve traço de descontentamento, preciso fazer relatório...

EVITE O MICRO-GERENCIAMENTO



Este conselho pode ter inúmeras nuances. Vou analisar uma situação particular: o marido versus as tarefas domésticas. As esposas em geral reclamam que os maridos não ajudam nas tarefas domésticas. Isso é verdade, mas as esposas muitas vezes agem errado: ao invés de dizer ao marido QUAL tarefa deve ser feita, elas querem também controlar COMO a tarefa vai ser feita. Ou seja, elas não querem um ajudante; querem um escravo ou um robô.

E é claro que isso não vai dar certo. Você pode adestrar o cavalo a puxar a carroça e obedecer ordens de "alto nível" (ande, pare), mas não vai conseguir fazê-lo andar com as patas de um jeito diferente do que o instinto lhe prescreve. Cada um executa determinada tarefa do seu jeito. Se você quer ser ajudada, aprenda a delegar. Se não pode conviver com a diversidade de modus operandi, faça tudo sozinha SEM RECLAMAR!

Meu exemplo pessoal: lavar a louça. Considerando que homens têm habilidade motora em geral superior às mulheres, podemos presumir que homens lavem a louça melhor que mulheres. E é exatamente o que eu observo na minha família imediata: eu e meu pai lavamos louça MUITO melhor e mais rápido que as respectivas esposas. Eu já me prontifiquei mais de uma vez a lavar a louça todo dia à noite. Mas por que eu não persevero no hábito? Porque minha esposa vive se metendo ("lave primeiro isso, depois aquilo...", "pra que você tá esquentando água?"), e principalmente reclamando do barulho ("vai acordar o bebê"), sendo que ela faz ainda mais barulho porque é mais desastrada -- e um bebê precisa afinal acostumar-se com os ruídos normais de uma casa!

Este padrão de comportamento repete-se em muitas outras atividades domésticas: esposa quer fazer tarefa A e pede para marido fazer tarefa B; esposa fica "supervisionando" marido na tarefa B e esquece da tarefa A, tornando a ajuda do marido completamente inócua.

Acontece algo parecido quando trata-se de cuidar do bebê. É certo que a mulher é mais delicada que o homem nesse mister. Mas bebês são mais resistentes do que parecem; não morrem (nem mesmo choram) só porque o pai troca as fraldas ou brinca com gestos um pouco mais bruscos.

MARIDO NÃO É MÁQUINA NEM SACO DE PANCADA



As mulheres ainda enxergam-se como o sexo frágil, aquela coisa de que "eu consigo fazer as coisas APESAR de ser mulher". Simetricamente, elas tendem a enxergar os maridos como máquinas ou super-homens. Algumas coisas que mulheres teimam em "esquecer" a respeito dos homens:

* que eles precisam dormir (em particular os que trabalham com o cérebro);
* que eles estão sujeitos a mau humor e frustrações;
* que precisam de incentivos;
* que não dá pra ter tesão por uma mulher às 2:00 se ela estava reclamando e fazendo cara feia até às 1:55;
* que eles têm gostos diferentes da esposa, pois cada afinal humano é diferente do próximo;
* que dirigir numa viagem cansa mais que ficar olhando a paisagem (motoristas profissionais são PAGOS para fazer isso, afinal de contas);
* que o simples fato de "ter uma família" NÃO é incentivo suficiente para se matar de trabalhar. Precisamos de medalhas e cenouras, assim como vocês precisam do trigentésimo sapato ou da quadringentésima blusa.
* que o trabalho do marido NÃO é um parque de diversões.
* que o marido tem não memória perfeita. Não adinata ficar falando durante toda a semana dos alimentos que faltam, se a ida ao supermercado está agendada para o sábado.

Outra consideração importante é que marido não é saco de pancada, e não vale ficar xingando e reclamando com ele para "desabafar" um problema completamente fora do contexto do casal. Como aquela vez que minha esposa passou 2 dias de cara amarrada comigo e no fim o motivo era... que os parentes dela não mantinham contato.

RESPEITE O ESPAÇO DO MARIDO



Vocês mulheres têm essa necessidade visceral de controlar tudo e todos. Se pudessem, leriam nossos pensamentos. Por favor, usem esse controle apenas para vigiar onde os filhos estão correndo, e não para ficar nos stalkeando.

É incrível como é difícil explicar para a mulher que às vezes o marido precisa ficar sozinho. Não estou falando de ficar sozinho fora de casa; estou falando de ficar simplesmente num cômodo da casa, de porta fechada, ouvindo uma música, lendo um livro ou a Wikipedia.

Ou, quando estamos na mesma sala que ela e os filhos, não vamos estar necessariamente interessados no que está passando na TV, mas sim estaremos usando um computador ou lendo um livro, e que mesmo nestes momentos de lazer as interrupções são MUITO chatas.

Ou, quando dedicamos tempo extra a nossa profissão (na forma de hora extra, leitura, pesquisa ou hobby), vocês acham ruim "porque trabalho tem de ficar confinado ao horário de trabalho". Isso pode valer para peão de obra, para aquele troglodita com que sua irmã casou. O bom marido, que ganha bem, tem uma profissão que demanda aperfeiçoamento constante, até mesmo paixão por aquilo que se faz.

Ou, quando sorrimos ou fazemos uma expressão carrancuda, vem inevitavelmente aquela perguntinha chata: POR QUE você tá sorrindo? POR QUE você tá bravo? Como mulheres, vocês deveriam saber que sentimentos às vezes ocorrem sem razão subjacente. Nós homens somos humanos também, não somos máquinas.

Homens são territoriais; eles querem possuir um quadrilátero de terra ou um cômodo da casa para chamar de seu. Só seu. Mulheres não dão bola para território, mas elas querem possuir pessoas. É uma diferença inerente, a rigor ambas as formas de "posse" são igualmente respeitáveis. O ponto é que a esposa tem de respeitar o fato do marido ser territorial. Invadir o escritório enquanto o marido está querendo sossego é ruim. Trazer parentes para morar junto é MUITO ruim (em particular se for macho, pois é invasão de território).

APRENDA A LIDAR COM DINHEIRO



Quase a totalidade das mulheres está programada para lidar com dinheiro assumindo que está casada com um "marido médio", aquele tipo que gasta todo o dinheiro ou com automóvel ou com amantes. Contra esse tipo de marido, a estratégia é dividir e conquistar: inventar situações e despesas o tempo todo, tentando ocupar todo o orçamento, para subtrair o máximo de dinheiro às amantes. Até aqui, tudo bem. O marido médio e a esposa média se merecem.

Infelizmente, as esposas não reprogramam-se quando seu marido é de qualidade maior. Elas continuam agindo da mesma forma, tentando ocupar todo o orçamento, sem deixar espaço para coisas como poupança, previdência e por aí vai. A esposa enxerga poupança como uma ameaça, pois homem + dinheiro sobrando = divórcio. Aí entra o aspecto complementar que é a mulher achar que o marido é uma máquina, que vai trabalhar a 110% da capacidade até os 75 anos, e portanto o dinheiro nunca vai faltar.

É certo que a mulher sabe administrar dinheiro, veja quantas famílias monoparentais existem por aí que fazem milagre com salário mínimo. Então, não entendo porque não seja possível adaptar-se de forma mais inteligente a uma situação de bonança, ao invés de agir como criança pedindo sempre mais e mais coisas. Aliás, mesmo algumas estratégias femininas de economia são incrivelmente infantis. Exemplo: "economizar" durante 15 dias e achar que pode-se gastar bastante no 16o dia por conta disso!

Não é assim que funciona; economizar é um esforço de anos e anos, tem de tornar-se um hábito. E o objetivo de economizar não é gastar no fim da jornada; é conquistar uma renda extra. Porque o seu marido não é uma máquina, ele também quer ter o conforto de uma renda passiva, assim como você tem o conforto de um marido que ganha bem.

Uma variante insidiosa da "economia feminina" é investir em imóveis (e.g. uma casa maior ou reformas). Para a mulher, esse "investimento" tem diversas vantagens: é uma torre de marfim para mostrar pros parentes, é uma forma eficaz de tornar o patrimônio ilíquido, incluindo FGTS (evita que o marido gaste com amantes!), não pode ser facilmente dividido em casa de divórcio ("então tem que ficar pros filhos, né!"), e é comumente tido como um bom investimento. Cara esposa: nada contra possuir o imóvel em que se mora, mas despejar dinheiro continuamente neste ou noutros imóveis não é investimento, é apenas um desejo egoísta.

A verdade é que a lógica patrimonial da mulher é diferente. Um homem procura possuir COISAS; uma mulher procura possuir PESSOAS. A mulher não faz questão de possuir os bens do casamento, mas ela faz questão de possuir o marido, que por sua vez possui os bens. O objetivo de "limpar" o marido no divórcio não é obter os bens, mas sim impedí-lo de retomar a vida facilmente.

Uma outra situação, que felizmente não acontece comigo mas já vi muito, é a famosa ajudinha financeira aos parentes. Pelo que observo, essa ajuda é muito mais comumente dada aos parentes da esposa que aos do marido. Uma possível causa é que a mulher usa isso para estabelcer vínculos com os seus. É um investimento em gente, digamos assim, pois a mulher gosta de "possuir" pessoas. Já um homem vê isso como dinheiro jogado fora, já que ele não quer possuir pessoas.

Uma dica tanto para maridos como para esposas: coloquem sua "lista de desejos" no papel, com os valores dos itens. Melhor ainda: os desejos devem ser cotejados com a renda livre mensal, para que seja possível ver o tempo que leva para conquistar cada coisa. As esposas beneficiam-se desta prática porque verão quanto dinheiro aquilo representa no cômputo geral, e coteja sonho com possibilidade. Os maridos beneficiam-se desta prática porque (experiência própria!) uma mulher reluta MUITO antes de assumir um compromisso escrito a respeito de orçamento doméstico; 60% das vezes ela prefere desistir do desejo do que assumir o compromisso formal de apertar o cinto e ajudar a conquistar aquele objeto.

ADMITA QUE TODO DESEJO É EGOÍSTA



Outra falácia com que as esposas enganam os maridos, e também a si mesmas, é colocar determinados desejos como "coisas para a família". Os exemplos canônicos são novamente relacionados a moradia: móveis melhores, casa maior etc. etc. Por outro lado, desejos tipicamente masculinos são tachados de "egoístas": automóvel maior, computador melhor e por aí vai. Pois eu afirmo que uns e outros são igualmente egoístas.

A falácia do "interesse de família" fica ainda mais insidiosa quando envolve filhos. É difícil para um marido distinguir entre a necessidade do filho e o orgulho da mãe em exibir-se para os parentes.

Minha esposa vive falando para aumentar a casa em 2 cômodos. Naturalmente, ela tenta vender a idéia como "algo que vai ser bom para todos nós". Mas a gente passa 99% do nosso tempo livre em no máximo 15% da área total da casa (portanto, aumentar a área só aumentaria a ociosidade). Chega fim-de-semana, ela começa a dizer "Bênhê, vamos passear de carro?". Ou então eu faço um churrasco em fogo de chão -- ou seja, FORA de casa, é como eu e ela preferimos. O único motivo plausível pelo qual nós poderíamos querer uma casa ainda maior, é para mostrar aos parentes... Nada mais egoísta do que isso, né?

Em pleno século XXI, está na hora de TODAS as pessoas admitirem que todo desejo é egoísta, e as prioridades devem basear-se em outros parâmetros, como a divisão 50:50 entre marido e mulher. Se móveis novos não são importantes para o marido, é perfeitamente justo destinar 50% do dinheiro sobrando para móveis novos e os outros 50% para o que ELE quiser, seja carro, computador ou videogame.

Terça-feira, Outubro 07, 2008

Felix com 6 meses

Agora já está consideravelmente mais divertido ser pai. O Felix já senta, já se agrada de brincadeiras bobas e está mais forte nos músculos, o que o torna mais fácil de pegar, carregar e brincar.

O lado ruim é que ele quer companhia quase o tempo todo durante o dia, o que ocupa muito de nós. Pelo menos ele dorme muito bem à noite: apaga às 11, acorda às 7 para comer, dorme até as 10. Até agora não perdemos uma noite sequer.

Em termos de doenças, só teve até agora um resfriado, de que ele recuperou-se muito mais rápido que os pais dele...